Rádio Observador

Hospital de São João

Pais acusam ministra de deixar “na gaveta” Ala Pediátrica do Hospital de São João

161

Pais de crianças tratadas no São João acusam a ministra da Saúde de deixar "na gaveta" o memorando que assinou em 2017 para acabar com o tratamento em contentores "provisórios e degradados".

Leonel de Castro/Global Imagens

Autor
  • Agência Lusa

A associação de pais de crianças tratadas no Hospital de São João acusa a ministra da Saúde de deixar “na gaveta” o memorando que assinou em 2017 para acabar com o tratamento pediátrico em contentores “provisórios e degradados”.

“A nova ministra da Saúde disse que não há data para o avanço do concurso da Ala Pediátrica. Mas assinou um memorando em que a obra é considerada urgente. Puseram o memorando na gaveta. Se é urgente, têm de arranjar forma de a fazer”, criticou Jorge Pires, porta-voz da APOHSJ — Associação Pediátrica Oncológica.

O memorando, a que a Lusa teve acesso, aponta a conclusão do investimento de 23,8 milhões de euros para 2019, e reconhece a necessidade de “criar as condições adequadas” para serviços “a funcionar há anos em espaços provisórios e degradados”, com “risco de repercussão na qualidade dos cuidados prestados”.

De acordo com o documento, de 01 de junho de 2017, as partes acordavam “promover a articulação necessária” para “desencadear o processo de renovação das instalações do Centro Pediátrico Integrado” do São João e “concretizar o projeto de edificação e apetrechamento” num “prazo estimado de três anos”.

Nesse dia, o presidente da administração daquela unidade hospitalar, António Oliveira e Silva, revelou à Lusa que as instalações de pediatria, a funcionar desde 2011 em contentores, deviam ter novas instalações a funcionar em 2020, de acordo com o referido memorando de entendimento.

A associação de pais critica ainda o presidente da Câmara do Porto, os deputados eleitos pelo distrito e a administração hospitalar “por nada fazerem” pela nova Ala Pediátrica.

“O Hospital de São João recebe crianças de todo o Norte. Esta é uma questão de saúde pública e não vemos o presidente da Câmara do Porto vir publicamente manifestar preocupação e a tentar mediar a resolução do problema”, lamentou.

“Não é aos pais que compete andar preocupados com isto. Não vemos, na cidade, ninguém a fazer nada. Os deputados eleitos pelo Porto não dão a cara por isto”, acrescentou.

O responsável criticou também “a administração do hospital, que é quem mais devia a vestir a camisola para resolver o problema”, por “não dizer ao Governo, pelo menos publicamente, que se vai embora porque não a deixam fazer a missão que lhe compete, que é dar condições às crianças”.

Jorge Pires lamenta ainda a ausência de “preocupação das figuras públicas do Porto, que têm tempo de antena mediático e não lutam por uma causa do Porto”.

“Não vemos ninguém a dar a cara por isto. Tiveram de ser os pais”, afirmou.

Jorge Pires critica ainda os “deputados eleitos pelo círculo do Porto”, que não vê “a lutar por esta causa”.

Em abril deste ano, o administrador do São João admitiu que as condições do atendimento pediátrico são “indignas” e “miseráveis”, lamentando que a verba para a construção da nova unidade ainda não tenha sido desbloqueada.

O responsável falava aos jornalistas a propósito de queixas de pais de crianças com doenças oncológicas sobre a falta de condições de atendimento dos seus filhos em ambulatório e também na unidade do ‘Joãozinho’ para onde as crianças são encaminhadas quando têm de ser internadas.

A 24 de outubro, o primeiro-ministro disse que o reforço do orçamento da Saúde permitirá “avançar com o lançamento” do concurso para a ala pediátrica, ao passo que a nova ministra da tutela, Marta Temido, afirmou ainda não haver data para o procedimento.

“As crianças têm tempo para isto. São crianças que lutam contra o tempo e muitas vezes o tempo não existe”, resume Jorge Pires.

Contactado pela Lusa, o Ministério da Saúde disse, através de fonte oficial, que não vai “fazer comentários além dos esclarecimentos que já foram prestados”.

O Centro Hospitalar de São João disse à Lusa que “não comenta o assunto”.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Combustível

O mundo ao contrário /premium

João Pires da Cruz

Se o seu depósito é mais importante do que aquilo que os pais deste bebé sentiram quando lhes disseram que o filho deles morreu instantes depois do nascimento, é porque tem o mundo ao contrário.

António Costa

O favor que Costa fez à direita /premium

Sebastião Bugalho

Nestes quatro anos, Costa normalizou tudo aquilo que a direita se esforçou por conquistar, o que levanta uma questão simples: o que poderá dizer o PS contra um futuro governo do centro-direita?

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)