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Um bom jogador muda uma equipa, um craque muda o jogo (a crónica do Marítimo-FC Porto)

A ordem de Zainadine segurou o Marítimo 70 minutos, a lei de Otávio revolucionou o FC Porto em pouco mais de cinco. Dragões vencem na Madeira (2-0) com um banco que, neste caso, tem muito crédito.

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Otávio concluiu da melhor forma uma grande jogada coletiva do FC Porto com dois toques de calcanhar pelo meio

EPA

Otávio concluiu da melhor forma uma grande jogada coletiva do FC Porto com dois toques de calcanhar pelo meio

EPA

Tem apenas 23 anos, três alcunhas e muito futebol. Otávio, aquele que também pode ser Otávinho, Tavinho ou Baixinho, é um daqueles jogadores que às vezes passa ao lado das votações para os melhores do Campeonato porque deixa sempre a sensação de ser um elemento irregular que de quando em vez encosta às boxes por questões físicas. Na temporada passada, quando Sérgio Conceição lhe deu a importância que o futebol que tem nos pés sempre mereceu, teve grande peso em muitos jogos da caminhada para o título; no início da pré-temporada, assumiu a responsabilidade do bicampeonato como algo positivo.

FC Porto bate Marítimo (2-0) e lidera Campeonato isolado com golos de Otávio e Marega

A tatuagem no pescoço como imagem de marca não esconde a humildade que trouxe do berço no Nordeste. Mais uma vez, Otávio começou a época em força mas entrara numa fase mais intermitente após novo problema físico que o afastou da equipa um par de jogos. Contra o Feirense, não saiu do banco; com o Varzim, para a Taça da Liga, foi totalista e um dos mais inconformados; esta noite, na Madeira, voltou a começar como suplente mas quis deixar uma marca para reconquistar o lugar que é seu por mérito próprio. Em seis minutos, marcou um golo, fez uma assistência e sentenciou o triunfo por 2-0 frente ao Marítimo.

Ficha de jogo

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Marítimo-FC Porto, 0-2

9.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Marítimo, no Funchal

Árbitro: Carlos Xistra (AF Castelo Branco)

Marítimo: Amir; Bebeto, Marcão, Zainadine, Lucas Áfrico (Correa, 74′), China; Vukovic, Fabrício Baiano (Ricardo Valente, 80′); Jean Cléber, Danny e Joel Tagueu (Rodrigo Pinho, 90′)

Suplentes não utilizados: Charles, Aloísio Soares, Edgar Costa e Barrera

Treinador: Cláudio Braga

FC Porto: Casillas; Maxi Pereira (Otávio, 67′), Felipe, Éder Militão, Alex Telles; Danilo, Óliver Torres; Corona, Brahimi (Mbemba, 79′), Marega e Soares (Herrera, 74′)

Suplentes não utilizados: Vaná, Adrián López, Hernâni e André Pereira

Treinador: Sérgio Conceição

Golos: Otávio (70′) e Marega (73′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Jean Cléber (2′), Lucas Áfrico (26′), Danilo (29′), Marega (52′), Zainadine (59′) e Danny (64′); cartão vermelho direto a Danny (82′)

Zaindine, elemento que começou como terceiro central e teve grande influência na organização defensiva dos insulares até meio da segunda parte, provou como um bom jogador consegue mudar uma equipa e a capacidade de cumprir a sua missão em campo; depois entrou Otávio, o exemplo de como um craque consegue mudar um jogo. E foi aqui que esteve um dos principais segredos da quinta vitória seguida do FC Porto em todas as provas, que lhe vale a liderança isolada do Campeonato.

Quando olhávamos para a habitual ficha de jogo, havia duas ideias que saltavam desde logo à vista: por um lado, Cláudio Braga tinha como objetivo povoar o corredor central deixando três unidades na frente com obrigação de andar a fazer “piscinas” de cima a baixo para acompanhar os movimentos dos laterais adversários e explorar as suas subidas; por outro, Sérgio Conceição queria dar mais largura aos movimentos de Marega, colocando Soares a seu lado com Corona e Brahimi nas alas. Ainda assim, se no FC Porto não havia grandes dúvidas em relação ao modelo que estava naquela folha, o mesmo não se poderia dizer em relação ao Marítimo. Pode a colocação de um jogador condicionar o que fazem os restantes 21? Pode. E acontece.

Logo a abrir, os dragões tentaram instalar-se no meio-campo contrário e forçar os madeirenses a manterem as linhas baixas perante a sua pressão. Alex Telles, no seguimento de uma entrada dura de Jean Cléber sobre Corona que valeu ao brasileiro um amarelo logo aos dois minutos, tentou ameaçar de bola parada mas atirou em arco muito por cima da baliza de Amir. Remates até aos 15′ só dois. Ambos no seguimento de livres laterais ou cantos. Perigo, pouco ou nada. E também por mérito da colocação de Zainadine como terceiro central, o que permitia por exemplo que Áfrico agarrasse Marega nos movimentos mais interiores à procura de passes de rutura que conseguissem desconstruir a muralha de pernas insulares.

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos em vídeo do Marítimo-FC Porto]

Não haveria muito mais para contar sobre a primeira parte apesar de restarem ainda 30 minutos para o seu final. Para quem acha piada às nuances táticas que um jogo de futebol pode ter, esse período até acabou por ser entretido; para quem prefere o lado mais espetacular do encontro, com remates, oportunidades e golos, foi meia hora de tédio. O FC Porto assumiu sempre o comando da partida, com muito mais bola do que o adversário, mas nunca conseguiu desatar o nó criado pelo bloco mais baixo dos visitados, que secava uma das fontes mais rentáveis do ataque azul e branco. Faltando espaço, teria de haver velocidade na circulação e desequilíbrios nos duelos individuais. Tudo o que não houve. E o único remate enquadrado da primeira parte até foi do Marítimo na única tentativa, com Casillas a defender o remate de Joel após combinação com Jean Cléber.

O segundo tempo começou praticamente com o primeiro remate enquadrado do FC Porto, por Soares, para defesa de Amir. E bastou uma aceleração de Óliver Torres no corredor central para colocar o brasileiro numa situação de 1×1 onde rodou e atirou rasteiro para defesa do guardião iraniano (48′). Não foi propriamente uma volta de 180º na exibição, mas percebeu-se que os dragões tinham detetado o que estava mal e iam tentando inverter esse filme. Com mais velocidade, com melhor circulação, com outra mobilidade, com mais ideias. No entanto, o Marítimo, que deixou no balneário a capacidade de pelo menos colocar os azuis e brancos em sentido com transições, estava recuado. Mais recuado. Ou, se calhar, demasiado recuado. E a cometer erros que não tinham existido nos 45 minutos iniciais, como a falta vislumbrada por Carlos Xistra de Lucas Áfrico sobre Soares no seguimento de um lançamento lateral. No entanto, Amir conseguiu defender o penálti de Marega (64′).

Sérgio Conceição teve a destreza para perceber que aquele lance em que o maliano perdera a mais flagrante oportunidade podia dar um balão de oxigénio ao Marítimo pelo “pontinho” – tendo em conta a produção no segundo tempo, não poderia ambicionar a muito mais do que isso. Por isso, abdicou de Maxi Pereira, recuou Corona para falso lateral e colocou Otávio em campo. Em seis minutos, os dragões já venciam por 2-0. E todos os jogadores mostraram aquilo que ainda não tinham mostrado.

Num lance a toda a velocidade e com circulação ao primeiro toque, Brahimi começou uma verdadeira obra de arte na esquerda. Que passou pelo pé do argelino, pelo calcanhar de Soares, pelo calcanhar de Marega e pela fé de Otávio, que progrediu com bola para a área até disparar um míssil que deixou Amir pregado na mesma posição (70′); pouco depois, Óliver Torres mostrou a agressividade na pressão sobre o portador que andava arredada, fez uma correria de muitos metros a fio com bola no pé, deu para o lado em Otávio e o brasileiro, que podia ter aquela gula do bis pela forma como tudo lhe estava a correr bem, assistiu Marega no corredor central para o 2-0. Em pouco tempo, ficava tudo resolvido. E se dúvidas ainda existissem, o vermelho direto a Danny a oito minutos do final dissipou-as de vez. As contas podem não ser as melhores mas o banco tem muito crédito.

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