Outubro foi mais um mês de retrocesso para o comércio automóvel, o que acontece depois de um Setembro em que a procura registou uma acentuada descida. Explicações há várias, sendo a principal o facto de os clientes terem antecipado as suas aquisições para Agosto, tradicionalmente um mês fraco de vendas devido às férias, mas não este ano. Os incentivos e as dificuldades devido à introdução do WLTP (Worldwide Harmonised Light Vehicle Test Procedure, o novo ciclo de homologação de consumos e emissões) falaram mais alto, o que terá “secado” o mercado nos meses seguintes.

Outra explicação terá a ver com as dificuldades que alguns fabricantes enfrentam com a disponibilidade de veículos novos para entrega, atrasados devido às mais morosas homologações do WLTP, não sendo também de descurar a crise com que lidam as marcas do Grupo Volkswagen, representadas no nosso país pela Siva, o que explica a quebra brutal das vendas, principalmente da Volkswagen (-43,7%) e da Audi (-75,2%), mas também da Skoda (-25,2%). Isto em flagrante contraste com a Seat, o único fabricante do grupo que a Siva não controla e que cresce 26,3%. Independentemente dos problemas que afectam a Siva, e da solução que venha a ser encontrada, este arrastar da situação está a alienar os bens mais preciosos dos emblemas do grupo, designadamente a imagem e a reputação.

Em Outubro, considerando apenas os ligeiros de passageiros, foram transaccionadas 13.956 unidades, contra as 15.898 no mesmo mês de 2017, o que representa um tombo de 12,2%. O crescimento próximo dos dois dígitos no acumulado do ano, que se verificou na primeira metade de 2018 e que tanto alegrava marcas e concessionários, além do Estado, pois os impostos directos e indirectos representam igualmente um encaixe importante, está cada vez mais longe, uma vez que os 196.652 veículos vendidos entre Janeiro e Outubro correspondem apenas a mais 4,9% do que os obtidos no mesmo período de 2017.

A marca que mais vendeu em Outubro foi a Peugeot (1.678 unidades), que já tinha liderado em Setembro, com menos dificuldades em entregar carros novos do que a Renault (1.356), a segunda mais vendida e que continua folgadamente a liderar no acumulado do ano, com 27.382 contra 19.645 veículos da Peugeot nos primeiros 10 meses do ano. A Mercedes foi a 3ª mais vendida e dominou o segmento de luxo (sendo igualmente a terceira que mais vendeu no acumulado de 2018), sendo de realçar a boa prestação da Fiat, a 4ª nas vendas do ano, à frente da Nissan, BMW, Opel, Citroën e Volkswagen.

Entre veículos ligeiros de mercadorias, segmento que aumentou as vendas 3% em Outubro e 3,8% nos primeiros 10 meses de 2018, foi a Renault quem mais vendeu e que continua a liderar o mercado, à frente da Peugeot, Citroën, Fiat, Ford, Toyota e Opel.

Nos veículos pesados, mercado que cresceu 13,2% em Outubro e 2,3% de Janeiro a Outubro, foi a Mercedes que dominou, à frente da Scania, Man, Renault, Volvo, Iveco e Daf, apesar de a Scania continuar a liderar o mercado em 2018, com 830 unidades, deixando para trás a Mercedes (747), Daf (619), Man (614), Renault (611) e Volvo (518).