Sérgio Moro, o juiz escolhido por Jair Bolsonaro para liderar o Ministério da Justiça do Brasil, quer levar para o Governo elementos da equipa que investiga a Lava Jato. Segundo o Estadão, o magistrado está já a avaliar alguns nomes da Polícia Federal e da Receita Federal, na tentativa de escolher os que se podem vir a juntar a ele.

Moro foi anunciado como futuro ministro, indicado pelo Presidente eleito do Brasil, na semana passada e, de imediato, prometeu uma agenda determinada contra a corrupção e contra o crime violento. Sabe-se agora que vai contar com o maior orçamento de sempre para pôr em marcha esse plano, em 2019. No total, serão quase 4,7 mil milhões de reais (cerca de mil milhões de euros), uma subida de 47% em relação ao valor atribuído àquela pasta este ano. É, aliás, um valor mais alto do que a dotação orçamental para a justiça e segurança em 2016, ano de Jogos Olímpicos no Brasil.

O reforço do orçamento explica-se, em parte, com a concentração das competências da pasta da Justiça, que passa a tutelar a Polícia Federal, tal como uma parte do Conselho de Controlo de Atividades Financeiras.

Além dos elementos da Polícia Federal e da Receita, Sérgio Moro terá confidenciado que também gostaria de levar para o Ministério “um ou dois nomes” do Ministério Público Federal. Uma possibilidade mais distante, já que implicaria que fossem exonerados dos cargos que agora ocupam.

Lula “indignado” com a escolha

A defesa do ex-Presidente do Brasil já tinha dado conta do desagrado de Lula da Silva com a escolha de Sérgio Moro, por Jair Bolsonaro. Agora, Lula faz saber que está “indignado, ainda mais com a nomeação de seu algoz como Ministro da Justiça”. A mensagem foi transmitida pela presidente do Partido dos Trabalhadores, que visitou o antigo governante na cadeia, onde cumpre uma pena de prisão por crimes de corrupção. Gleisi Hoffmann classificou de “escândalo” a ida de Moro para o Governo, anunciando que o caso vai ser levado à justiça: “A denúncia internacional vai acontecer, os advogados estão tomando as providências”, disse.

Mais que isso, a líder do PT sugeriu que a ligação entre Moro e Bolsonaro não é de agora e que a prisão de Lula foi decidida para abrir caminho à vitória do candidato do PSL. “Isso só confirma o que dizíamos. O processo que condenou Lula é absolutamente político. [Lula] está preso aqui não por ter cometido crime, está preso aqui para não ter sido candidato a presidente, para proporcionar que Jair Bolsonaro ganhasse as eleições. Fica evidenciado hoje para nós”, assegurou, à porta da sede Polícia Federal, em Curitiba, no final da visita.