A defesa de Lula da Silva vai pedir a libertação do antigo presidente do Brasil e a nulidade do processo junto do Supremo Tribunal Federal. Os advogados de Lula da Silva dizem que a ida de Sérgio Moro para o ministério da justiça de Jair Bolsonaro coloca em causa a imparcialidade do juiz no momento em que ordenou a prisão do antigo governante, no âmbito do processo Lava Jato.

Neste momento, Lula da Silva está a cumprir uma pena de 12 anos por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Mas agora, uma semana depois de os brasileiros terem eleito Jair Bolsonaro para liderar o próximo governo e dias depois de Moro ter sido nomeado para ministro da justiça, a defesa de Lula da Silva argumenta que o juiz Sérgio Moro agiu de forma “parcial” na Operação Lava Jato.

Ao longo do documento, que tem 73 páginas, os advogados de Lula da Silva recorrem da condenação ordenada por Sérgio Moro porque, segundo eles, foi motivada por crenças políticas. A defesa acusa Sérgio Moro de, ao condenar Lula da Silva, ter participado num esquema para travar a candidatura de Lula da Silva nas últimas eleições presidenciais do Brasil: “Um olhar sobre os detalhes do processo eleitoral e seus desdobramentos permite confirmar, acima de qualquer dúvida razoável, que a atuação do juiz Sérgio Moro em relação a Lula sempre foi parcial e teve por objetivo interditar o ex-presidente na política –viabilizando ou potencializando as chances de um terceiro sagrar-se vencedor nas eleições presidenciais”.

Os advogados de Lula da Silva acrescentam que Moro, “em vez de dissipar fundadas suspeitas, colabora com a consolidação da fama que ostenta, retroalimentando uma perceção razoável da sociedade de que ele se comporta como inimigo/opositor do ex-presidente Lula”.