Cerca de 56 pessoas foram mortas e 379 ficaram feridas no mês passado durante as eleições legislativas no Afeganistão, anunciaram terça-feira as Nações Unidas, sublinhando que foi o sufrágio mais mortal registado no país.

O primeiro dos três dias de votação, que começou a 20 de outubro e cujo anúncio dos resultados foi adiado para 23 de novembro, foi o mais sangrento, observou a Missão da ONU no Afeganistão (MANUA) num relatório.

Nenhum escrutínio matou mais pessoas desde que a ONU começou a contabilizar vítimas civis no Afeganistão em 2009.

Durante a eleição presidencial de 2014, que foi marcada por fraudes, cerca de 251 pessoas foram mortas ou feridas.

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Nos seis meses que antecederam as eleições, quase 500 afegãos foram mortos ou feridos – mulheres e crianças representam mais de um terço das vítimas – e 245 foram sequestrados, segundo a missão da ONU.

“Os atos de violência deliberados contra civis e lugares civis – como as assembleias de voto – bem como atos indiscriminados são formalmente proibidos pelo direito humanitário internacional e constituem crimes de guerra”, referiu o documento da MANUA.

Poucos dias antes das eleições, os talibãs pediram aos eleitores que ficassem em casa e aos candidatos que se retirassem da corrida eleitoral, ameaçando atacar as assembleias de voto.

Os talibãs usaram principalmente granadas e outros tipos de munição para impedir os afegãos de votarem, de acordo com a missão da ONU.

O ataque mais mortífero, um atentado suicida que deixou 13 mortos e 40 feridos em Cabul, foi reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), acrescentou a missão da ONU.

Segundo as estatísticas oficiais, cerca de 4,2 milhões de pessoas votaram durante estas eleições, entre os quase nove milhões de eleitores recenseados.

A votação registou muitos fracassos.

Alguns centros de voto não puderam abrir por falta de assistentes, houve ainda ausência de listas eleitorais ou mau funcionamento dos terminais de reconhecimento biométrico instalados à última hora e utilizados pela primeira vez.

Na província de Kandahar (sul), a votação foi adiada uma semana após o assassínio de um chefe da polícia.

As eleições legislativas, realizadas com três anos de atraso, foram vistas como um teste importante antes das eleições presidenciais de 2020.