Paquistão

Asia Bibi, a cristã condenada à morte no Paquistão, foi libertada

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Presa há oito anos por blasfémia, Asia Bibi acabou por ser ilibada pelo Supremo Tribunal, o que provocou violentos protestos. Agora saiu da prisão e embarcou num avião, mas não se sabe para onde.

Manifestantes islamitas protestam a pedir a condenação à morte da cristã Asia Bibi

AFP/Getty Images

Asia Bibi, paquistanesa cristã de 47 anos que estava presa no corredor da morte há oito anos, acusada do crime de blasfémia, foi libertada esta quarta-feira e estará a caminho de um outro país.

A notícia foi avançada pela Agência France Press, que conseguiu confirmar a informação junto do advogado da paquistanesa. “Ela foi libertada. Disseram-me que ela está num avião, mas ninguém sabe onde ela vai aterrar”, declarou Saif-ul-Malook à agência. Bibi foi libertada mas continuou sob custódia das autoridades paquistanesas, por razões de segurança, já que a decisão do Supremo Tribunal de ilibar a cristã há cerca de uma semana foi recebida com violentos protestos nas ruas de Islamabad.

Fonte oficial do Ministério dos negócios estrangeiros, Muhammad Faisal, afirma que Bibi “encontra-se num local seguro no Paquistão”, neste momento.

O crime de Bibi, que a fez ser inicialmente condenada à morte, foi o de ter insultado o profeta Maomé numa discussão com vizinhos, em 2010. A cristã nega que o tenha feito.

A reação extremada dos grupos islamitas mais conservadores, que protestaram a decisão do Supremo de ilibar Bibi, levou a que o seu marido e filhos tivessem de se esconder. “Ajudem-nos a sair do Paquistão. Estamos muito preocupados porque as nossas vidas estão em perigo”, declarou o marido Ashiq Maish à organização cristã Ajuda à Igreja que Sofre. Na passada semana, a família anunciou que pediu asilo em vários países como o Reino Unido, o Canadá ou os Estados Unidos.

Esse pode agora ser um dos destinos para onde Bibi está a ser levada, mas será mantido em segredo até a paquistanesa estar em segurança.

O Islão é a religião nacional do Paquistão e o apoio popular às leis sobre a blasfémia é forte. Alguns políticos mais radicais, como relembra a BBC, têm apoiado algumas das penas pesadas por este crime. Ao todo, 65 pessoas já terão sido mortas no Paquistão por este crime desde 1990.

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