Indonésia

Descoberta primeira pintura rupestre de um animal

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Foi descoberta a primeira pintura rupestre feita no mundo. A pintura, com pelo menos 40 mil anos, está localizada numa caverna na floresta da ilha indonésia de Bornéu, noticia a revista Nature.

Foi descoberta a primeira pintura rupestre de uma figura animal feita no mundo. A pintura, com pelo menos 40 mil anos de idade, está localizada numa caverna na floresta da ilha indonésia de Bornéu, e tem assim mais dez mil anos que os desenhos das grutas de Altamira, o maior conjunto do género conhecido. A descoberta foi divulgada esta quarta-feira na revista científica Nature. 

Uma equipa de cientistas do Centro Nacional de Investigação da Indonésia identificou aquilo que pode ser o desenho de uma vaca selvagem, aparentemente espetado por uma lança, o que indica que já existia um povo caçador a habitar aquela ilha. O desenho está junta a vários outros na mesma caverna. ”A imagem mais antiga que encontrámos é uma grande pintura de um animal, um tipo de vaca selvagem que vive na floresta de Bornéu, e tem uma idade mínima de 40 mil anos. Este é o primeiro exemplo de pintura rupestre conhecida no mundo”, conta Maxime Aubert, professor da Universidade de Griffit, na Austrália, e um dos responsáveis pela descoberta.

O animal, de cor laranja e pintado com o dedo ou com um pincel, encontra-se na caverna de Lubang Jeriji Saléh, um lugar de difícil acesso situado a cerca de 200 metros de altura, numa montanha. A caverna com 140 metros de longitude, alberga 20 pinturas de animais e humanos (todos pintados em datas posteriores) e 300 impressões de mãos. As pinturas do Bornéu ”têm uma idade semelhante a algumas estatuetas talhadas na Alemanha e datadas entre 35 mil a 40 mil anos”, afirma o arqueólogo, fazendo referência às figuras de mamute em marfim, como a conhecida Vénus de Hohle Fels.

Esta descoberta é um feito importante, dado que vem alterar a ideia de que essas primeiras representações de figuras de animais e de mãos humanas surgiram na Europa Ocidental. Agora acredita-se que os primeiros habitantes da ilha chegaram ao Bornéu através de uma orla migratória que partiu de África há 60 mil anos, provavelmente através do Mar Vermelho e da Península Arábica. ”A nossa investigação sugere que a arte rupestre se estendeu desde Bornéu a Celebes e outros territórios mais além da Eurásia, talvez chegando com os mesmos povos que colonizaram a Austrália”, explica Aubert, sublinhando que o arquipélago é um passo importante entre a Ásia e o continente australiano.

Mas o que são, afinal, pinturas rupestres?

Ao falar-se de pinturas rupestres faz-se referência à representação de objetos, animais ou figuras humanas mediante imagens de fácil reconhecimento, diferentes daquelas que retratam símbolos ou figuras geométricas. Estes foram os primeiros desenhos dos humanos e eram feitos primeiro através de rochas duras, depois de sangue de animais ou pigmentos de plantas. Durante muito tempo assumiu-se que a origem desse salto cultural e cognitivo se tivesse produzido nas cavernas europeias.

As grutas mais conhecidas com pinturas rupestres são as de Altamira, em Espanha, e as de Lascaux em França. Em Portugal, há um importante conjunto de pinturas no Alentejo, na gruta do Escoural, além das pinturas ao ar livre no Vale do Coa.

No entanto, o feito divulgado esta quarta-feira, revela que haveria a capacidade de reproduzir a mesma realidade mediante imagens noutras regiões do planeta.

Esta não é a primeira investigação desta equipa. A equipa do Centro Nacional de Investigação da Indonésia que habitualmente analisa diferentes representações pictórias em cavernas remotas das ilhas de Bornéu e de Celebes, descobriram, em 2014, amostras semelhantes ao animal encontrado em Bornéu na ilha de Celebes. Segundo os autores, isto sugere que o arquipélago teria uma tradição de arte rupestre entre 50 mil a 40 mil anos.

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