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Oferta da Science4you em bolsa será dirigida aos investidores no retalho – Miguel Pina Martins

Fundador e presidente executivo da empresa, Miguel Pina Martins, disse que "nesta fase" não haverá entrada de investidores institucionais. Empresa quer entrar em bolsa até final do ano.

A Science4you, empresa portuguesa de brinquedos científicos, quer entrar em bolsa até ao final do ano, com uma oferta dirigida aos investidores no retalho, especialmente em Portugal, e sem reservar uma parte para investidores institucionais, disse o fundador e presidente executivo da empresa, Miguel Pina Martins.

“A oferta dirige-se ao retalho, especialmente em Portugal, mas também aberto a quem quiser vir de fora e está muito focado nos investidores que conhecem, que gostam e que  consomem a Science4you e que, para além de poderem participar, de certa forma, na educação das crianças lá de casa, poderão também participar no crescimento e no futuro da empresa, neste caso com ações”, disse o responsável aos jornalistas à margem de uma apresentação na Web Summit.

Miguel Pina Martins salientou que, nesta fase, a oferta não terá — “nesta fase” — uma parte reservada a investidores institucionais, até porque se trata de “uma tranche relativamente pequena e este tipo de IPO, neste tipo de bolsa, está mais reservado para retalho diretamente”. A Science4you vai fazê-lo no sistema Euronext Growth. “Acaba por ser a forma mais fácil de uma empresa portuguesa fazer um IPO, o último nível daquilo que é possível fazer a nível de mercado”.

“Nós temos o Access, o Access +, o Growth e o mercado regulado. Tudo o que for ao nível dos mercados alternativos, o Euronext Growth é aquele que, no nosso entender, faz mais sentido, por ser o último antes do regulado. O próprio nome indica — Growth (crescimento). O nosso objetivo, no longo prazo, é que a empresa possa crescer e que as pessoas possam participar nesse crescimento”, salientou.

No entanto, o sonho de estar cotado no PSI20 não está posto de lado. “PSI20? É também uma hipótese, neste momento ‘pasito a pasito’ e ficamos muito contentes por conseguir já ser cotados. Obviamente, ainda necessitamos de perceber o que o mercado diz. Já estamos muito contentes com este passo, depois logo se vê o que virá para a frente. Mas se a empresa começar a crescer muito, obviamente que poderá ser uma hipótese”, admitiu Miguel Pina Martins.

IPO da Raize foi um “gatilho” para a Science4you fazer o mesmo

“Sempre acreditamos que era possível fazer um IPO, mas houve uma operação este ano, a da Raize, que nos deu o ‘trigger’. ’Se a Raize fez, pode haver aqui uma hipótese de nós também fazermos, tendo em conta todos os indicadores que comparamos”, recordou o responsável da empresa.

No entanto, o IPO da Science4you também permite que alguns investidores institucionais “possam sair um bocadinho, o que acaba por ser importante”.

“O Portugal Ventures está desde o primeiro dia na Science4you e tem alguns fundos que já estão há dez anos na empresa. Por isso faz sentido haver alguns fundos mais antigos que possam ter a oportunidade de capitalizar, assim como de parte da Science4you, dos fundadores, dos ‘business angels’ que entraram, possam também fazer alguma entrada de dinheiro”, completou Miguel Pina Martins.

Alguns institucionais que vai vender mais do que outros, mas — ressalvou o presidente executivo da empresa — nenhum vai vender mais do que 50% da sua posição.

Capitalizar para reforçar a aposta no e-commerce

“Uma parte muito significativa da operação é para que a empresa se capitalize e continue a crescer muito mais do que fez no ano passado”, adiantou Miguel Pina Martins, escusando-se no entanto a revelar os resultados previstos para este ano. É que agora, diz com um sorriso, a informação vai estar toda no prospeto, e a empresa está “sob o escrutínio da CMVM”.

O grande objetivo, mais do que a entrada em novos mercados internacionais (a Science4you já vende em mais de 50 países, aqueles que considera os mais relevantes), é “fazer crescer vendas”, através do reforço do e-commerce.

“Este investimento serve para uma aposta muito clara no e-commerce a nível de brinquedos. Os brinquedos são das coisas que é mais fácil e tem uma maior quota a nível de mercado online e nós achamos que ainda temos um potencial muito grande dentro da Science4you para continuar a crescer. Há uma parte muito significativa deste investimento que é para continuar na aposta do e-commerce, que acreditamos plenamente ser o caminho onde se vão vender brinquedos nos próximos dez anos”, conclui.

A decisão da Science4You de vir a ser cotada em bolsa foi tomada na quarta-feira, em Assembleia Geral de acionistas, e foi comunicada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Neste momento ainda carece de aprovação pelo regulador.

“A Science4you, S.A., empresa 100% portuguesa, dedicada ao desenvolvimento, produção e comercialização de brinquedos em Portugal, vem informar o mercado sobre a sua intenção de lançar uma Oferta Pública de Distribuição (IPO – Initial Public Offer) sobre ações representativas do seu capital social e solicitar a respetiva admissão à negociação no sistema de negociação multilateral Euronext Growth”, escreve a empresa no comunicado.

A empresa prevê a venda de ações detidas pelos atuais acionistas e novas ações (no valor de 8,25 milhões de euros). Estas vendas podem representar um montante total de 15 milhões de euros, o que representa 45% do capital social da empresa.

A Science4You nasceu há 10 anos como um projeto académico de Miguel Pina Martins. Agora, o fundador e presidente executivo espera que esta ação em bolsa dê mais visibilidade e credibilidade à empresa, importante no processo de internacionalização. A empresa exporta para mais de 60 países e tem filiais em Madrid e Londres.

Os principais investidores da empresa de brinquedos são o Millennium Fundo de Capitalização, a Portugal Ventures e o Banco Europeu de Investimento.

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