Cinema

Quatro filmes para ver esta semana

Um policial da série "Millenium", uma animação realista passada em Angola em 1975, o primeiro filme de um realizador português e "Bel Canto", são as escolhas desta semana de Eurico de Barros

Claire Foy personifica a nova Lisbeth Salander em "A Rapariga Apanhada na Teia da Aranha", de Fede Álvarez

Autor
  • Eurico de Barros

“A Rapariga Apanhada na Teia da Aranha

Claire Foy sucede a Rooney Mara (“Millenium 1: Os Homens que Odeiam as Mulheres”, de David Fincher), e a Noomi Rapace (a trilogia “Millenium” sueca) no papel de Lisbeth Salander em “A Rapariga Apanhada na Teia da Aranha”, agora realizado por Fede Álvarez. Este novo filme da série “Millenium” baseia-se no livro homónimo de David Lagercrantz, que o escreveu — não sem alguma controvérsia — depois da morte de Stieg Larsson, o autor da trilogia original. Desta vez, Lisbeth (agora dotada de características de heroína de acção “bondiana”) e Mikael Blomkvist (“Borg Vs McEnroe”), que substitui Daniel Craig no papel do jornalista de investigação, veem-se mergulhados numa complexa e perigosa intriga, tecida por uma organização secreta internacional, composta por espiões, “hackers” e altos funcionários de Estado corruptos, e na qual está também envolvida Camilla Salander (Sylvia Hoeks), a irmã gémea de Lisbeth.

“Mais um Dia de Vida”

O primeiro livro do grande repórter de guerra polaco Ryszard Kapuscinski, Mais um Dia de Vida: Angola 1975 (1976) resultou da sua estadia em Angola em 1975, quando cobriu para a agência estatal de informação do seu país, o êxodo dos portugueses e os combates pelo poder entre MPLA, Unita e FNLA. Esta longa-metragem animada e realista de Raúl de la Fuente e Damian Nenow, na senda formal de “A Valsa com Bachir”, de Ari Folman, baseia-se no livro de Kapuscinski, cujas simpatias estavam do lado do movimento então liderado por Agostinho Neto. O filme, que inclui depoimentos de algumas pessoas que viviam então em Luanda e conheceram o jornalista, é também, muito ingénua e tendenciosamente, pró-MPLA (o que resulta irónico, tendo em conta a situação política angolana atual). E apesar de visualmente conseguido, não consegue igualar o poder descritivo, evocativo e emocional da escrita do autor de Andanças com Heródoto.

“Carga”

A estreia nas longas-metragens do português Bruno Gascon é uma história muito bem-intencionada, muito mastigada, muito estereotipada e muito redundante sobre tráfico humano, envolvendo um camionista com escrúpulos (Vítor Norte) mas também com uma mulher e uma neta para alimentar, um mafioso russo (Dmitry Bogomolov) e os seus patibulares capangas, e um punhado de mulheres de Leste (interpretadas por Michalina Olszanska  e Sara Sampaio, entre outras) que aquele transporta no seu camião, para serem encaminhadas para a prostituição em Portugal e em Espanha. Se a concisão, a eficácia dramática e a lógica narrativa de “Carga” estivessem à altura da veemência e da insistência com que o realizador faz passar a sua “mensagem”, este seria um filme perfeitamente potável. Tal como está, não é.

“Bel Canto”

Este “thriller” romântico de Paul Weitz (“American Pie”, “Era Uma Vez um Rapaz”) , baseado no livro de Ann Patchett, passa-se num país não identificado da América Latina. Julianne Moore interpreta Roxanne Coss, uma célebre cantora lírica contratada para cantar numa festa por Katsumi Hosokawa (Ken Watanabe), um industrial japonês que tem uma enorme admiração por ela. Entre os convidados estão diplomatas, homens de negócios e representantes da Igreja. De súbito, o recital é interrompido por um grupo de guerrilheiros que estava à espera que o presidente da república estivesse na receção, para o sequestrarem e pedirem a libertação imediata de todos os presos políticos. Só que ele ficou no palácio a ver a sua telenovela favorita, e à falta de melhor, os insurgentes sequestram todos os presentes e mantém a sua reivindicação. “Bel Canto” foi escolhido como filme da semana pelo Observador, e pode ler a crítica aqui.

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