Eleições Europeias

Uma rock star da Baviera, um beijo à mãe Merkel e a invasão finlandesa ao palco de Rangel

Weber subiu ao palco ao som de One Vision, dos Queen e deu um beijo a Merkel. Uma hora depois dizia ao Observador que está "ansioso" por fazer campanha em Portugal. Já Rangel sofreu invasão de Stubb.

O cenário era de congresso à americana, como já vem sendo hábito no Partido Popular Europeu, e a estrela do dia subiu ao palco ao som de One Vision, dos Queen. Os cartazes prometiam: Weber, por uma Europa melhor. Mesmo com Orbán na sala, a música lá ia avançando: “I had a dream/When I was young/dream of sweet illusion/A glimpse of hope and unity. O sonho era de Manfred Weber, o recém-eleito candidato do PPE a presidente da Comissão Europeia.

Weber não tem ar de rock star, mas tocou 20 anos guitarra numa banda de amigos. Não consegue disfarçar a calvície, mas foi visto sempre como um jovem político. Não era favorito a estar nesta posição há dois anos, mas foi isso que aconteceu esta quinta-feira, em Helsínquia, e com cerca de 80% dos votos. O primeiro beijo, na subida a palco, foi para sua mentora, Angela Merkel. É também muito da chanceler alemã esta vitória e foi ela que arrancou o maior aplauso do Congresso, com praticamente todos os delegados de pé, antes sequer de começar a falar, o que levou a própria a uma breve graçola: “Tenham cuidado, não sabem o que vou dizer.”

As primeiras palavras de Weber foram para Alexander Stubb, o seu adversário, que se ficou pelos 20%. O alemão disse que quer levar a postura ambiciosa e justa de Stubb para as eleições europeias e levantou o braço do finlandês como se o atlético Stubb tivesse acabado de vencer um combate de boxe. Não venceu, mas nem por isso foi esquecido. Para a organização finlandesa, do partido Kokoomus, Weber deixou outra reprimenda bem disposta: “Prometeram-nos neve e não nevou“.

Weber, que quer ser um presidente dos afetos, compromete-se a tentar “diminuir a distância entre os cidadãos e a Europa” e deixou um apelo aos delegados: “A minha última mensagem é aproveitarmos a embalagem deste congresso para voltarmos para as nossas cidades, para os nossos países e dizermos às pessoas que temos uma boa ideia para a Europa. Vamos lutar, vamos argumentar, vamos convencer e, por fim, vamos vencer em 2019 e conquistar a maioria no Parlamento Europeu“. O alemão não quer apenas que o PPE seja a força mais votada, pede mesmo a maioria — o que, pelas sondagens, parece uma tarefa quase impossível.

Weber ansionso por fazer campanha em Portugal

Manfred Weber, em declarações ao Observador (no vídeo abaixo), diz estar “ansioso” por fazer campanha em Portugal e “ajudar” o PSD e o CDS a terem um “bom resultado” nas próximas eleições europeias.

Num segundo momento, o Observador questionou Weber sobre o que os portugueses podiam esperar dele como candidato à presidência da Comissão Europeia e o alemão respondeu que o PPE quer “manter a Europa unida” e destacou que este é “o partido das fronteiras controladas, que pensa que a imigração ilegal tem de ser travada”. Manfred Weber diz ainda que o PPE é “o partido da economia de futuro”, acrescentando que o que “Passos Coelho fez em Portugal, por exemplo, inspira-nos a nível europeu. Com reformas temos boas condições para o futuro, especialmente para os mais jovens terem emprego“.

Rio voou para Amesterdão, Rangel falou pelo PSD

Ao contrário de Assunção Cristas, que comentou aos jornalistas a vitória de Weber, Rui Rio saiu assim que acabou a sessão plenária a tempo de apanhar um voo para Amesterdão, onde vai fazer escala para poder estar de volta a Portugal às 19h00. Ficou o chefe da delegação portuguesa em Bruxelas, Paulo Rangel, a representar o PSD e a explicar que Rio teve de sair devido aos horários apertados dos voos. Dizendo que “mais tarde em Portugal” os jornalistas vão poder ouvir Rio sobre Weber. Em português? “Isso já não sei“, respondeu Rangel. Rio, recorde-se, começou o último dia de congresso a responder aos jornalistas portugueses só em alemão.

Quando Paulo Rangel estava a fazer a sua reação à vitória de Weber para os jornalistas portugueses, Alexander Stubb ia a passar no corredor e interrompeu a declaração. “Sou fã deste tipo”, disse ao abraçar  Rangel. E acrescentou: “Passámos uns grandes momentos em Lisboa [durante a escola da Europa]”. Sobre como se sente, Stubb disse estar “bem”, já que chegou ao fim de uma grande campanha, de defesa dos valores europeus. Disse ainda adorar Portugal, em particular Cristiano Ronaldo, como se vê no  vídeo abaixo.

Cristas votou em Alexander Stubb, mas preferia Barnier

Assunção Cristas nunca disse quem o CDS ia apoiar e acabou por dar liberdade de voto aos restantes quatro delegados do CDS. E admitiu, já depois de contados os votos, que votou no candidato que perdeu. “Votei no Alex Stubb por uma razão muito simples: entendo que, para um país da dimensão de Portugal, é bom que tenhamos nas instituições máximas, candidatos que venham dos países de dimensão mais pequena ou média e que compreendam aquilo que é estar na periferia da Europa”, disse Assunção Cristas.

Para a líder do CDS, “qualquer um dos candidatos daria um bom presidente da Comissão”, mas que a “preferência” do CDS “fosse para outros candidatos que não apareceram”. Cristas referia-se a Michel Barnier — que o CDS apoiou há cinco anos contra Juncker — , atual negociador da União Europeia no Brexit.

A presidente centrista destacou que “o mais importante em Helsínquia” foi ver “a vivacidade do PPE” e que o partido está “preparado para enfrentar as próximas eleições europeias, através de todos os partidos nacionais que fazem parte do PPE”.

O Observador viajou a Helsínquia a convite do Partido Popular Europeu.

Texto de Rui Pedro Antunes (em Helsínquia).
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