A Escócia vai ser o primeiro país do mundo a incorporar os direitos das lésbicas, gays, bissexuais, transgénero e intersexuais no currículo escolar, avança o jornal britânico The Guardian.  

As escolas estatais vão passar a ensinar às crianças a história da igualdade e dos movimentos LGBTI. Esta medida terá como objetivo atacar os preconceitos associados à homofobia e à transfobia e, ao mesmo tempo, explorar a identidade LGBTI. O anúncio já foi confirmado pela conta de Twitter do Governo escocês.

As recomendações associadas a esta medida foram aceites na totalidade por todos os ministros e a proposta foi realizada por um grupo de trabalho, liderado pela campanha Time for Inclusive Education (TIE).  Não haverá isenções e estará presente ”no curríulo escolar e em todos os assuntos”, de acordo com o mesmo jornal.

Jordan Daly, cofundador da TIE, considera que “está é uma vitória monumental para a campanha e um momento histórico para o país. A implementação da educação inclusiva dos direitos LGBTI nas escolas públicas é colocar o mundo em primeiro plano. Num tempo de incerteza global, isto mostra uma forte e clara mensagem para os jovens LGBTI que eles são valorizados na Escócia”, refere ao jornal inglês.

A Escócia como exemplo

Neste momento, a Escócia está no ranking como um dos países mais impulsionadores da Europa no que toca à proteção legal das pessoas LGBTI, apesar de só em 1980 ter descriminalizado formalmente a homossexualidade — 13 anos depois da Inglaterra e do País de Gales — e pretende continuar a sê-lo.

Quando John Swinney, vice-primeiro-ministro com a pasta da Educação, fez o anúncio, referiu isso mesmo. “A Escócia é neste momento considerada um dos países da Europa mais progressistas relativamente à igualdade LGBTI. Sinto-me satisfeito por anunciar que nós [os escoceses] somos o primeiro país do mundo a incorporar o ensino dos direitos LGTBI no currículo escolar”, refere.

“O nosso sistema educativo deve apoiar as pessoas ricas em potencial. É por isso que é vital um currículo diversificado como os jovens que apreendem nas nossas escolas”. Em 2000, foi banida uma lei que abolia a promoção da homossexualidade nas escolas, a chamada Section 28 (secção 28).

Este anúncio foi feito depois de, na terça-feira, o jornal The Guardian ter noticiado que um grupo de mulheres tinham escrito ao Secretário de Estado para a Educação inglês, Damian Hinds, alertando  o governo de que era necessário implementar planos de educação sexual nas escolas de Inglaterra.

A mesma organização que promoveu esta medida realizou um estudo que referia que nove em cada dez escoceses LGBTI foram vítimas de homofobia nas escolas e 27% dos inquiridos relatam que tentaram o suicídio após terem sido vítimas de buylling.