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Angola

Taxa de eletrificação de Angola “ainda” nos 42% admitiu o ministro da Energia angolano

A taxa de eletrificação em Angola está nos 42%, admitiu o ministro da Energia e Águas angolano, sublinhando, porém, que existem "boas perspetivas" para se começar a reverter a situação em breve.

CLAUDIO PERI/EPA

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  • Agência Lusa

A taxa de eletrificação em Angola está nos 42%, admitiu esta sexta-feira o ministro da Energia e Águas angolano, sublinhando, porém, que existem “boas perspetivas” para se começar a reverter a situação em breve.

Em declarações à agência Lusa, à margem da assinatura de um acordo de financiamento entre o Reino Unido e Angola para o setor da Saúde, João Baptista Borges reconheceu que o país “ainda está longe” da universalização do acesso à energia elétrica.

“Atualmente, a taxa de eletrificação de Angola é de 42%. Estamos ainda longe de atingir a universalização do acesso, que é isso que pretendemos”, afirmou, salientando que, com a entrada em funcionamento de vários empreendimentos hidroelétricos no país, já a partir do início de 2019, o panorama vai começar a desanuviar-se.

A presença de Baptista Borges na cerimónia de assinatura de um acordo de financiamento para o setor da saúde, assinado esta sexta-feira pelo ministro das Finanças angolano, Archer Mangueira, e pela enviada especial da primeira-ministra britânica para Angola e Zâmbia, baronesa Lindsay Northover, justifica-se por o Reino Unido estar também a financiar projetos de extensão da distribuição de energia ao país.

Em causa estão os projetos das subestações elétricas de Viana e da Gabela, cuja construção é financiada pelo Reino Unido e que são os primeiros a ser implementados, permitindo ajudar a distribuição energia elétrica às populações de Luanda e do Cuanza-Sul a partir da barragem hidroelétrica de Laúca, na fronteira entre as províncias do Cuanza Norte e Malanje (centro de Angola).

As subestações de Viana (a leste de Luanda) e da Gabela (na província do Cuanza Sul) vão permitir que a energia vinda de Laúca possa chegar a Luanda, Huambo e Bié, esclareceu o governante angolano.

“[O projeto] vai ajudar à distribuição na área de Viana, que é uma das áreas de Angola com maior crescimento habitacional, para que mais consumidores possam ter acesso à energia, e a da Gabela, que vai permitir também que o sistema elétrico se desenvolva para a região centro e sul do país”, sublinhou.

“A Gabela [cujos trabalhos de ligação à rede elétrica vão arrancar em breve e que terminarão em 2020] é um nó importante e essa subestação joga um papel de relevante importância nesta estratégia de expansão do sistema elétrico. O investimento vai complementar o projeto já em curso, que envolveu a construção das linhas para Luanda e para o Huambo”, acrescentou.

João Baptista Borges lembrou que a situação energética no país difere de região para região, pelo que a aposta é na rede de distribuição.

“Temos o país dividido em regiões e só podemos falar em défice nas regiões. Na região norte temos atualmente um ‘superavit’ de energia, com a entrada em funcionamento do empreendimento hidroelétrico de Laúca [inaugurado a 4 de agosto de 2017], havendo desafios na distribuição”, referiu.

“É para aí que se viram agora os investimentos, nomeadamente a construção das linhas de alta tensão, que estão a ser feitas para Luanda, e também para o Huambo e Benguela, bem como a expansão da rede de distribuição para novas áreas habitacionais, que é o que se está a fazer, por exemplo, para Luanda”, explicou.

Na região centro, que envolve sobretudo as províncias do Huambo e Bié, o défice ronda os 40%, indicou o governante angolano, face à falta de uma rede de distribuição e à limitação existente na produção térmica, pois a região vive dela.

“Mas há agora a perspetiva de, com a ligação de Laúca, suprirmos esse défice, já no início do próximo ano”, sublinhou, pois os trabalhos deverão estar concluídos em janeiro de 2019, permitindo o acesso à energia por parte da população das duas províncias.

Na região sul, a grande preocupação está nas províncias do Cunene e da Huíla, em que o défice está em torno dos 50%.

“É provavelmente aquela que terá um défice maior se tivermos em conta não só a atual demanda, mas também as perspetivas de crescimento da indústria e do consumo habitacional. Precisaremos de mais 50%, ou seja, o dobro daquela capacidade que existe hoje”, afirmou.

“A estratégia de desenvolvimento do setor para suprir essas necessidades vai sobretudo atender ao crescimento da rede elétrica, com a construção das linhas, com a interligação dos três sistemas e a possibilidade de transportar energia dos grandes centros de produção – Laúca e Cambamba [hidroelétrica no Cuanza Norte] – vai resolver esse problema a médio e longo prazo”, explicou João Batista Borges.

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