As instituições superiores vão abrir 2.500 vagas para estudantes estrangeiros no próximo ano letivo, noticiou o Público. De acordo com Manuel Heitor, do gabinete do ministro, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior permitiu aumentar de 20% para 25% o número de vagas destinadas ao concurso especial para estudantes estrangeiros. Se este ano havia 10.200 entradas disponíveis para alunos internacionais, no próximo ano letivo esse número vai aumentar para 12.700.

Fontainhas Fernandes, presidente do Conselho de Reitores da Universidades Portuguesas, disse ao Público que esta pode ser uma “oportunidade” para compensar o facto de a população com 18 anos — a idade com que tipicamente se entra na universidade — diminuir de 120 mil pessoas para apenas 85 mil pessoas, como se prevê que aconteça nos próximos anos. Pedro Dominguinhos, do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, acrescentou que só com esta medida é que o Governo podia cumprir o objetivo de aumentar o número de estudantes estrangeiros em Portugal.

O número de jovens que vem estudar para Portugal no ensino superior está em crescendo desde o ano letivo 2011/2012. Nesse ano havia 28.656 estrangeiros a estudar em Portugal, um número que quase duplicou no ano letivo 2017/2018, em que havia 49.708 estudantes estrangeiros no país, conta o Público. A contribuir para isso está a declaração do Estatuto do Estudante Internacional, que permite a universidades e politécnicos criar um concurso especial para eles, aceitar exames nacionais de outros países e aumentar as propinas para os estrangeiros.

Desde que esse Estatuto entrou em vigor, o número de estudantes estrangeiros em Portugal aumentou cerca de 48% e já representa um sexto de toda a comunidade académica. No Instituto Politécnico de Bragança, 26% de todos os estudantes chegam do estrangeiro, sobretudo do Brasil e Cabo Verde. Esse é um cenário que contrasta com os dos politécnicos de Viseu, Santarém e Cavado e Ave, onde apenas 4% dos estudantes vêm de fora. A Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril também se fica pelos 4% porque lá não há vagas para alunos de fora: o edifício é demasiado pequeno para receber mais estudantes.