Gordon Brown disse esta segunda-feira que acredita num segundo referendo ao Brexit, mas que é necessário arranjar uma forma mais eficaz de ouvir as pessoas. “Sempre disse que acho que vai acontecer um segundo referendo. Acredito que, no final, a situação tenha mudado desde 2016 e que as pessoas deveriam ter a palavra final. Mas, também acredito que temos de encontrar uma maneira melhor para ouvir as vozes das pessoas“, disse o antigo primeiro-ministro britânico, criticando também o Governo por falhar na resolução da relação a longo prazo entre o Reino Unido e a União Europeia.

“Proponho um novo tipo de comissão real – não a comissão real habitual do grande e bom para ‘levar minutos e gastar anos’, mas aquilo a que chamo uma comissão real das pessoas, uma plataforma desenhada para permitir, encorajar e empoderar vozes e preocupações sobre o caminho a seguir”, acrescentou Brown no discurso proferido em Londres. Para o político trabalhista, é necessário “ouvir pontos de vista e opiniões em todas as regiões e nações e em todas as indústrias” e “incentivar um debate nacional, organizar audiências deliberativas em todo o país para ouvir as preocupações do público sobre as causas e consequências da Brexit e as suas aspirações para o futuro”.

Temos de lidar com preocupações muito reais levantadas com o referendo e que desde então os britânicos ainda não tiveram resposta. Não podemos reunir um país dividido sem falar com o país, sair da bolha de Westminster, entrar num diálogo com as regiões e nações e envolver as pessoas de uma forma aberta e com conversações viradas para fora sobre o nosso futuro de uma forma mais sistemática e construtiva do que está a acontecer agora”, disse Gordon Brown esta segunda-feira.

Segundo o The Guardian, Brown citou a assembleia de cidadãos na Irlanda, quando ajudou a redigir uma nova lei do aborto, mais tarde aprovada num referendo, como um exemplo do que tinha em mente. Criticou também o Governo por falhar em resolver a relação entre o Reino Unido e a União Europeia a longo prazo, afirmando que, mesmo se o país saísse em março, esta relação não estaria definida.

Normalmente numa negociação definem-se objetivos a longo prazo e trabalha-se nas formas de chegar a esses objetivos. Mas, independentemente de qual for o acordo e com ou sem acordo, as questões a longo prazo sobre o futuro do Reino Unido vão continuar sem resposta e sem resolução”, acrescentou o antigo primeiro-ministro britânico.

Gordon Brown decidiu também citar o que disse Churchill em 1937: o Governo “decidiu ser indeciso, resolveu ser hesitante, inflexível à deriva, sólido pela fluidez e poderoso para ser impotente”. Segundo Brown, o mesmo se aplica ao Governo de Theresa May.