A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou esta segunda-feira um relatório sobre a utilização de antibióticos entre países. Segundo a entidade internacional, que estudou o consumo destes medicamentos em 64 países em 2015, “a grande diferença na utilização de antibióticos mundialmente demonstra que há países que estão a abusar do uso enquanto que outros podem nem ter acesso suficiente a estes remédios”.

As bactérias que são combatidas pelos antibióticos são cada vez mais resistentes a estes medicamentos. A OMS tem alertado para estas resistências que têm surgido e tem pedido aos países para moderarem o acesso a estes remédios, para evitar o surgimento de super-bactérias. Segundo o estudo divulgado esta segunda-feira, é preciso que os governos criem medidas para fazer com que o acesso a antibióticos seja só através de receitas médicas, garantindo que são tomados de forma correta.

Apesar de o estudo ter dados de países como Portugal ou França, a informação relativa à utilização de antibióticos em grandes países, como a China, a Índia ou os Estados Unidos da América, não surge, por não ser possível recolher números fidedignos. Também por isso, a OMS, afirma que é preciso fazer-se mais para se saber com é que cada país está a utilizar estes remédios de forma a poder-se compreender que medidas devem ser tomadas. Segundo o mesmo estudo, a utilização de antibióticos por habitante em Portugal encontra-se na média europeia.

“Sem antibióticos eficientes e outros antimicrobianos, vamos perder [a Humanidade] a nossa habilidade de tratar infeções comuns como uma pneumonia”, alerta a investigadora Suzanne Hill, chefe de departamento de medicamentos essenciais e produtos de saúde na Organização Mundial da Saúde. O estudo, que partiu de dados recolhidos em 2015, descobriu que os antibióticos mais utilizados no mundo são a amoxicilina e a amoxicilina mais ácido clavulânico.

O consumo excessivo e o subconsumo de antibióticos são as principais causas de resistência antimicrobiana. Sem antibióticos eficazes e outros antimicrobianos, perderemos a nossa capacidade de tratar infeções generalizadas como pneumonia”, diz Suzanne Hill.

Descobertos na década de 1920, os antibióticos salvaram dezenas de milhões de vidas combatendo eficazmente as doenças bacteriológicas, como a pneumonia, a tuberculose e a meningite. Mas, ao longo das décadas, as bactérias modificaram-se para resistir a esses fármacos.

A Organização Mundial da Saúde advertiu muitas vezes que o mundo ia ficar sem antibióticos eficazes e, no ano passado, a agência especializada da ONU pediu aos países e aos grandes grupos farmacêuticos para criarem uma nova geração de medicamentos capazes de lutar contra as “superbactérias” ultrarresistentes. As bactérias podem tornar-se resistentes quando os doentes usam antibióticos que não precisam ou não completam o tratamento, dando oportunidade à bactéria de sobreviver e desenvolver imunidade.

Para a organização, a resistência ao antibióticos também pode ocorrer quando os doentes não podem pagar o tratamento completo ou apenas conseguem aceder a medicamentos de pior qualidade ou adulterados. Ou seja, para se resolver este problema não vai passar apenas por controlar mais o acesso a antibióticos, também é preciso que os países que não têm tanto acesso façam promovam uma melhor utilização destes medicamentos.