O avião da companhia Air Astana, que aterrou no passado domingo à tarde de emergência no aeroporto de Beja, esteve mais de um mês em manutenção. O avião Embraer E190, que esteve cerca de 97 minutos no ar completamente descontrolado, tendo de ser auxiliado por dois “caças” da Força Aérea Portuguesa, foi sujeito a uma manutenção do tipo C, a mais profunda e que implica verificação total do aparelho e a desmontagem das várias partes, avança o jornal Público.

Segundo o jornal, a principal causa apontada para o descontrolo da aeronave, poderá ser um problema nos comandos que controlam a inclinação lateral do aparelho — os ailens, que se situam nas asas do aparelho. Esta tese é confirmada por uma fonte do setor aeronáutico já que “os pilotos viravam o avião para um lado e o aparelho voltava-se para o outro”. A companhia aérea do Cazaquistão, em declarações iniciais à agência Lusa, confirmou que os problemas existentes no eixos possam ter estado na origem da aterragem de emergência do avião. aeronave apresentava desvios de estabilidade do eixo longitudinal [roll-axis, no original]”, disse fonte oficial da companhia, em resposta à Lusa.

Neste momento o aparelho está parado no aeroporto de Beja e só poderá voltar a descolar com autorização do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), que está a investigar o incidente. Os pilotos que seguiam na aeronave já foram ouvidos e os investigadores já recolheram os dados existentes na caixa negra do aparelho, onde se registam os dados do voo e as comunicações da tripulação. A análise deverá demorar pelo menos duas semanas, havendo depois um longo caminho de investigação a percorrer, que envolverá tanto a Embraer como a OGMA.

“Problemas de pressurização”

Situação bem diferente aconteceu com o Boeing 737 da Transavia. Apesar de também ter sofrido um aterragem de emergência nesta segunda-feira no aeroporto de Faro, o avião que transportaria 149 passageiros a bordo, sofreu de problemas de pressurização quando fazia a ligação com Amesterdão.

Em nota sobre o incidente, a companhia área nunca mencionou  a palavra “emergência” e menorizou o envolvimento dos “caças” da Força Aérea e diz que a ajuda “foi parte de um treino/exercício” dos militares. Segundo a companhia, o avião transportava 144 pessoas a bordo, e não as 149 avançadas. O voo que seguia do Funchal para Amesterdão, teve de divergir para Faro para ser alvo de uma “inspeção técnica” após um “toque de cauda” no momento da descolagem na ilha.