Hospitais

Hospitais encerraram 2017 com o “pior resultado económico de sempre”

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Os hospitais encerraram o ano de 2017 com o "pior resultado económico de sempre", garante o presidente da Associação de Administradores Hospitalares. Os resultados operacionais agravaram-se em 200%.

No final de 2017, apenas nove hospitais apresentavam um EBITDA positivo

LUÍS FORRA/LUSA

A situação financeira dos hospitais integrados no Serviço Nacional de Saúde (SNS) atingiu um estado considerado dramático. De acordo com o Jornal de Negócios, que teve acesso a dados do Ministério da Saúde, a evolução, entre 2014 e 2017, dos indicadores económicos de 43 dos 45 hospitais do SNS aponta para um agravamento de quase 200% dos resultados operacionais negativos — para cerca de 460 milhões de euros, enquanto que os prejuízos quintuplicaram e chegam agora aos 440 milhões de euros.

Já o EBITDA, o relatório de resultados antes de impostos, amortizações, depreciações e juros, passou de 29,5 milhões de euros positivos para 296,6 milhões negativos. No final de 2017, apenas nove hospitais apresentavam um EBITDA positivo e somente sete registavam um melhoria face ao ano de 2014. Já quanto aos resultados operacionais, só três unidades hospitalares estavam em terreno positivo; em relação aos resultados líquidos, também só três hospitais davam “lucro” e apenas cinco apresentavam uma melhoria face a 2014.

Alexandre Lourenço, o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), explicou ao jornal que os hospitais do SNS “encerraram o ano de 2017 com o seu pior resultado económico de sempre”. “A forte restrição orçamental, quer pela via do financiamento operacional quer pela via do investimento, tem condicionado a capacidade dos hospitais em melhorar os seus índices de desempenho qualitativo”, acrescenta Alexandre Lourenço, vincando que, em percentagem de PIB, as transferências de caráter orçamental caíram na última década e estão agora no valor mais baixo de sempre.

Além da má gestão já apontada pelo ministro das Finanças e do subfinanciamento, o presidente da APAH atribui ainda responsabilidades à má gestão orçamental que “ao invés de apostar na melhoria da capacidade gestionária das organizações, optou pela limitação da autonomia e agravamento da centralização da decisão das Finanças – mais acentuada” que durante o período em que o país esteve sob o programa da troika. De acordo com Alexandra Lourenço, a solução está em “dotar os hospitais de autonomia para fazerem face às suas necessidades quotidianas”.

Em resposta ao Negócios, o Ministério da Saúde explicou que “está em curso a identificação de hospitais que, em função da sua eficiência, sejam dotados de um orçamento mais de acordo com a dimensão da sua atividade”, a entrar em vigor em 2019.

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