Os empréstimos concedidos pelos bancos a particulares para habitação em setembro totalizaram os 790 milhões de euros, baixando pelo terceiro mês desde a entrada em vigor das novas regras do Banco de Portugal (BdP), divulgou esta terça-feira o regulador.

De acordo com os dados mais atualizados do BdP relativos a empréstimos e depósitos bancários, foram concedidos 790 milhões de euros pelos bancos às famílias para empréstimos à habitação, menos do que os 810 milhões de euros de agosto – mês no qual já tinham recuado em termos mensais -, mas mais do que os 739 milhões de euros concedidos em setembro de 2017.

Desde o início do ano foram já emprestados 7,293 mil milhões de euros de novos créditos à habitação, valor que compara com os 5,951 mil milhões de euros concedidos no ano passado entre janeiro e setembro. Em setembro deste ano, de acordo com a informação divulgada pelo BdP, a taxa de juro média dos novos empréstimos concedidos a sociedades não financeiras manteve-se inalterada face a agosto em 2,36%.

Nas operações acima de um milhão de euros, a taxa de juro diminuiu 18 pontos base, para 1,66% e nas operações abaixo de um milhão de euros, a taxa de juro diminuiu um ponto base, para 2,74%. O aumento do peso das operações abaixo de um milhão de euros explica a manutenção da taxa de juro média.

Nas novas operações de crédito a particulares para habitação, a taxa de juro média manteve-se em 1,36%, enquanto no crédito ao consumo e para outros fins, as taxas de juro médias foram, respetivamente, de 7,19% e 3,84% (7,04% e 4,07% em agosto).

Em julho, entraram em vigor as novas regras do Banco de Portugal que criam restrições à concessão de novos créditos à habitação e ao consumo, estabelecendo, por exemplo, que as famílias apenas podem gastar metade do seu rendimento com empréstimos bancários.

Apesar de não serem de cumprimento obrigatório, os bancos que não as cumprirem têm de explicar ao supervisor porque não o fizeram. O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, avisou em maio, no parlamento, que se os bancos não respeitarem as regras poderão passar de recomendações a ordens vinculativas.

Os depósitos de particulares nos bancos residentes totalizavam 141,9 mil milhões de euros no final de setembro de 2018, refletindo uma taxa de variação anual de 2,7% e uma diminuição de 0,1 pontos percentuais face a agosto. Na área do euro, a taxa de variação dos depósitos de particulares foi de 3,9% em setembro, tendo-se mantido inalterada desde julho de 2018.