O presidente do Sindicato dos Oficiais de Justiça e cerca de 20 outros dirigentes sindicais foram impedidos de entrar esta quarta-feira na Assembleia da República por trazerem cravos vermelhos na lapela dos casacos. Motivo: há regras para assistir às sessões no plenário e o cravo vermelho “é um símbolo de protesto”, explicação dada ao responsável pelo sindicato, Carlos Almeida. O presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, acabou por autorizar que entrassem.

No dia em que um outro sindicato do setor, o Sindicato dos Funcionários Judiciais, iniciou uma greve e aproveitou a audição da ministra da Justiça, Francisca Van Dunem para uma vigília à porta da Assembleia, Carlos Almeida diz que decidiu ir ouvir a governante. À entrada refere ter sido logo chamado à atenção pelo cravo que ostentava. “O polícia disse que estava a cumprir ordens e que não podíamos entrar com os cravos porque eram um símbolo de protesto”, contou ao Observador. Eram 16h00.

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Carlos Almeida indignou-se e recusou entrar sem o cravo, mantendo-se junto ao controlo de segurança na porta lateral do Palácio de São Bento. O deputado socialista Fernando Rocha Andrade terá estranhado o caso. “Ele ficou indignadíssimo. Ao fim de uma hora veio ter comigo e disse-me que o presidente da Assembleia, Ferro Rodrigues, tinha autorizado entrar com os cravos”, conta ao Observador.

O presidente do sindicato, que partilha as mesmas reivindicações do outro sindicato do setor — relacionadas com a revisão da carreira, aprovação de um estatuto, descongelamento das promoções e dos vencimentos, falta de funcionários — disse que agarrou nos cravos de todos os dirigentes e dirigiu-se às galerias. “Dei os cravos aos meus colegas e pude finalmente assistir às palavras da ministra”, disse.

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Segundo as regras da Assembleia, qualquer cidadão pode assistir às sessões plenárias, mas deve manter-se em silêncio, sem se manifestar ou aplaudir. Pode o presidente da Assembleia, neste caso Ferro Rodrigues, estabelecer regras que considere necessárias ao normal funcionamento das sessões.

Recorde-se que nas sessões que decorrem no dia 25 de abril, é comum ver os deputados a usarem cravos vermelhos na lapela.