Mário Centeno não tem dúvidas quanto à experiência do défice excessivo em Portugal: “Não podemos voltar atrás”. Num artigo de opinião que escreveu para o jornal online Eco, o ministro das Finanças refere que o país não pode voltar aos “períodos passados de euforia despesista com ou sem correspondência do lado da receita”. E por “períodos passados”, Centeno refere o período entre 2002 e 2011, quando o peso da despesa corrente primária no PIB — despesa corrente antes dos juros — “cresceu 6,7 pontos percentuais”: o governo de Durão Barroso (entre 2002 e 2004), o governo de Santana Lopes (2004 a 2005) e também o governo de José Sócrates (entre 2005 e 2011).

“Se olharmos para a experiência deste século, vemos a razão de termos entrado em défice excessivo: entre 2002 e 2011 o peso da despesa corrente primária no PIB cresceu 6,7 pontos percentuais, 4,1 pontos percentuais nos primeiros quatro anos e 2,5 pontos percentuais nos últimos seis.”, explica Mário Centeno, considerando que o caminho de “credibilização” das finanças públicas que Portugal está a percorrer nos últimos três anos, ou seja, no governo da “Geringonça”, está a ser feito de forma positiva: “Atingimos nos últimos três anos saldos primários compatíveis, finalmente, com a mera normalidade na condução da política orçamental”, refere.

Centeno diz ainda que as pessoas que questionam “se esta situação é duradoura e sustentável”, “são os mesmos que questionavam, em 2015 e 2016, se havia alternativa ao caminho de austeridade recessiva e de emigração em que o país se encontrava mergulhado”. O ministro das Finanças refere ainda que essas mesmas vozes “esquecem-se que governar é decidir, talvez porque quando foram Governo não decidiram. E não implementaram medidas necessárias à promoção do potencial crescimento da economia portuguesa”.

O país tem de ter consciência plena de que, no futuro, terá que continuar a adotar medidas com vista ao controlo da evolução das contas públicas. Uma economia não funciona em piloto automático. É por isso que estamos obrigados a acautelar o futuro. Esse é o mais claro mandato que os portugueses nos deram”, referiu ainda Mário Centeno.

O ministro das Finanças considera ainda que “pela primeira vez”, as metas que a economia portuguesa alcançou permitem que, “perante um futuro abrandamento da economia europeia”, Portugal evite entrar “novamente em défices excessivos”, salientando o 18.º crescimento consecutivo da economia portuguesa, a redução do desemprego e a “forma responsável” da subida dos salários. Apesar de considerar que “o traço distintivo desta legislatura é o de que a trajetória das finanças públicas portuguesas que foi apresentada em 2015 foi inteiramente cumprida”, Centeno alertou: “O país tem de ter consciência plena de que, no futuro, terá que continuar a adotar medidas com vista ao controlo da evolução das contas públicas”.