O Conselho Económico e Social considera que as metas do Governo, tanto para economia como para as contas públicas, são atingíveis, mas demonstra insatisfação pelo que considera ser a pouca ambição do Governo no orçamento para garantir um ritmo de crescimento económico robusto.

Na audição dos representantes do Conselho Económico e Social no Parlamento, a propósito do parecer do Conselho sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2019, António Correia de Campos, que lidera a organização, explicou que as organizações que compõem o Conselho Económico e Social veem “pouca ambição” da parte do Governo no documento para a economia.

“O Governo revela pouca ambição, nomeadamente em matéria de convergência com a União Europeia e do ganho de quotas de mercado”, disse Correia de Campos.

Sobre o cumprimento das previsões do Governo para a economia, o CES diz que não vê “grande risco ao cumprimento das metas orçamentais e do cenário macroeconómico”.

No que diz respeito às metas orçamentais, o CES considera mesmo que “o Governo tem, apesar de tudo, uma margem considerável” para conseguir cumprir as metas, nomeadamente para a redução do défice orçamental para os 0,2%.

Isto não quer dizer que as metas serão cumpridas da forma que o Governo diz que as irá cumprir. O CES aponta isso mesmo, com António Correia de Campos a dizer que os valores que estão previstos para o investimento “são exagerados” e “não vão acontecer”, lembrando o que tem acontecido no passado no que ao investimento diz respeito, e deixa uma crítica: o valor do investimento em percentagem do PIB é o mais baixo da União Europeia.

Para o CES, a questão central é se o crescimento é robusto e sustentável, e para isso, as organizações que o compõem querem ver mais medidas de áreas que consideram estar “pouco presentes no orçamento”, como o investimento público e privado, para atingir ganhos de quota de mercado e para reduzir os conteúdos importados na procura externa e interna.