O uso de antibióticos nos hospitais e nas unidades de unidades de cuidados de saúde continuados é excessivo. A conclusão é de um estudo do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (com a sigla inglesa ECDC) divulgado esta quinta-feira.

No dia em que se celebra o Dia Europeu da Consciencialização dos Antibióticos, o estudo revela que um em cada três doentes internados em hospitais europeus recebe pelo menos um antibiótico enquanto está doente. O relatório, a que o Observador teve acesso, revela ainda que a média europeia se situa nos 33%. No entanto, a média portuguesa é de 44%.

Todos os anos há 8,9 milhões de infeções hospitalares na Europa, sendo que “mais de metade poderiam ser prevenidas” e resultam, muitas vezes, de pneumonias e complicações pós-operatórias. Aos doentes são-lhes, muitas vezes, administrados antibióticos para combater essas infeções. Em comunicado, Andrea Ammon, diretora do ECDC, apela a que estes medicamentos sejam “usados com prudência” e alerta para que sejam tomadas medidas de prevenção de controlo sobre este assunto. Com isto, “é necessário adotar estratégias para atender a necessidades específicas”.

Nos 29 países analisados (28 do Espaço Económico Europeu e a Sérvia) a proporção de antibióticos de largo espectro administrados varia entre os 16% e os 62%. Relativamente a este ponto, a Bulgária está no topo da tabela, seguida de Itália. Já Portugal encontra-se no oitavo lugar, perto dos 50%.

De acordo com os estudo, uma em cada três bactérias que estão na origem de infeções nos hospitais europeus é resistente a antibióticos. Esta resistência a antimicrobianos é variável e depende essencialmente das espécies de bactérias, do grupo antimicrobial e da região geográfica.  Um estudo publicado na semana passada revelou ainda que há 33 mil mortes a cada ano na Europa em consequência de infeções por bactérias resistentes a antibióticos.

E se os antibióticos deixarem de tratar infeções?

As infeções associadas aos cuidados de saúde continuam também a ser um problema de saúde pública. Na Europa, um em cada 15 doentes dos hospitais e um em cada 26 doentes de cuidados de saúde continuados, têm pelo menos uma infeção associada aos cuidados de saúde, muitas destas infeções são causadas por bactérias multiresistentes.

O estudo foi desenvolvido durante dois anos e envolveu mais de 310 mil pacientes de 1275 hospitais.