As quatro fileiras “chave” da economia do mar empregam 99,4 mil pessoas e geram um volume de negócios de 7,5 mil milhões de euros, segundo um estudo promovido pelo BCP e que é apresentado esta quinta-feira.

O relatório, da autoria das consultoras EY e Augusto Mateus & Associados, focou-se em quatro áreas que considera “chave” (pesca, aquicultura e indústria do pescado; transportes marítimos, portos e logística; construção, manutenção e reparação naval; turismo e lazer ligado ao mar) e concluiu que são “responsáveis em Portugal por cerca de 99,4 mil empregos, 7,5 mil milhões de euros de volume de negócios anual e 2,6 mil milhões de euros de VAB [Valor Acrescentado Bruto]”.

Estes valores, refere o relatório, “correspondem a cerca de 2,7% do emprego e 3,1% do VAB gerado anualmente pelo setor empresarial” do país.

O trabalho, que contabilizou dados até 2016, detalha ainda que o segmento mais relevante é o do turismo e lazer, seguindo-se a pesca, aquicultura e indústria do pescado e a fileira dos transportes marítimos, portos e logística.

“Entre 2009 e 2016, a economia do mar em Portugal apresentou um crescimento acumulado de 29% do VAB, comparado com o crescimento de 6,7% verificado para o PIB [Produto Interno Bruto] nacional no mesmo período”, garantiu o estudo.

Para os autores do estudo, Portugal tem “um potencial muito elevado e ainda por explorar nesta área”, tendo em conta que detém uma das maiores Zonas Económicas Exclusivas a nível mundial.

“Esta vasta área poderá ser explorada para as mais diversas atividades da Economia do mar como, por exemplo, a produção ‘offshore’ de energia ou a aquicultura marítima (que necessitam de espaço), assim como ao nível da exploração dos recursos naturais que nela residem (minerais ou material biológico)”, referiu o documento.

A localização geográfica do país também pode ser uma vantagem, segundo os autores, e poderá “ser um elemento decisivo na afirmação europeia e, possivelmente, global, de Portugal ao nível do transporte marítimo internacional e da logística”.

O trabalho caracteriza também a economia do mar a nível mundial, citando um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que contabiliza em 1,5 biliões de dólares o VAB deste segmento, ou seja, cerca de 2,5% do PIB mundial. O setor é responsável por mais de 31 milhões de postos de trabalho, o que representa 1% a 1,5% do total mundial.

“A economia do mar incorpora um vasto rol de atividades diversas, incluindo, por exemplo, o ‘offshore oil& gas’, que se destaca em termos de importância relativa no VAB (33,6% do total), bem como a pesca marítima industrial, que se destaca em termos de emprego (35,1%), cuja relevância supera de longe a relevância do VAB (1,4%)”, detalharam os autores.

A Europa e a Ásia são as regiões com maior peso neste segmento, garantiu este relatório.

O estudo será apresentado esta quinta-feira em ílhavo, nas Jornadas Millennium Empresas.

Turismo e lazer é segmento que mais pesa na economia do mar

O turismo e lazer, com 72 mil trabalhadores e uma faturação de quase 4,5 mil milhões de euros, é o segmento que mais se destaca no âmbito da Economia do mar, segundo o mesmo estudo.

“No seu conjunto, as atividades da fileira do turismo e lazer ligado ao mar empregam aproximadamente 72 mil pessoas, geram cerca de 4,5 mil milhões de euros de volume de negócios anual e cerca de 1,7 milhões de euros de VAB [Valor Acrescentado Bruto]”, lê-se no relatório.

Segundo os autores deste trabalho, “o turismo costeiro e, em menor escala, o turismo marítimo são os segmentos turísticos com mais história em Portugal, tendo sido responsáveis pelo primeiro grande ‘boom’ do turismo em Portugal”.

A fileira da pesca, aquicultura e indústria do pescado tem também um peso relevante na Economia do mar, incluindo “cerca de 4 mil e 422 empresas, que empregam aproximadamente 20 mil trabalhadores e geram um volume de negócios de 1,7 mil milhões de euros, um VAB de 238 milhões de euros e um nível de investimento que ronda os 53 milhões de euros anuais”, avançou o estudo.

Segundo os autores, as atividades primárias da fileira são as mais dominantes em termos de emprego, sendo que as industriais geram mais volume de negócios. “No tocante à evolução pós-crise (2012-16), observa-se uma dinâmica de crescimento global da fileira bastante interessante (+20% em termos acumulados). A aquicultura foi a atividade que mais cresceu”, referiram os autores.

Por sua vez, a fileira dos transportes marítimos, portos e logística conta com cerca de 379 empresas, 4.780 trabalhadores, um volume de negócios de 986 milhões de euros, um VAB de 439 milhões de euros e um nível de investimento de cerca de 87 milhões de euros por ano.

No caso dos portos, o de Lisboa é o que mais emprega, com 642 trabalhadores (em 2016) e um volume de negócios de 104 milhões de euros. O VAB mais elevado cabe aos portos de Sines e Algarve (que têm uma administração comum), com 112,1 milhões de euros e uma faturação de 144,5 milhões de euros.

Por fim, na fileira da construção, manutenção e reparação naval atuam 339 empresas, que geram aproximadamente 336 milhões de euros de faturação anual e empregam diretamente cerca de três mil trabalhadores. O VAB atinge os 105 milhões de euros e o investimento 19 milhões.