O Presidente da República considerou esta sexta-feira que as migrações são “uma questão fundamental” na agenda da 26.ª Cimeira Ibero-Americana e que esta comunidade “tem condições únicas” para enfrentar este problema, com diálogo, rejeitando o unilateralismo.

Em declarações aos jornalistas, em Antigua, Guatemala, onde os chefes de Estado e de Governo da Ibero-América estão reunidos até sexta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que Portugal tem sido exemplar em matéria de migrações e rejeitou uma vez mais que se queira resolver este problema unilateralmente.

“Ninguém pode unilateralmente querer, por maioria de razão, à margem do direito ou desrespeitando os direitos humanos, resolver uma questão que tem preocupado o mundo ibero-americano, que vai preocupar esta cimeira. E podemos dizer que precisamente o mundo ibero-americano tem condições únicas para enfrentar o problema”, afirmou.

Com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, ao seu lado, o Presidente da República insistiu que “tem de haver diálogo, tem de haver pontes”.

No seu entender, a cimeira de Antigua “é uma grande ocasião para se demonstrar que esta organização pode servir também para pontes nesses domínios”.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, as migrações são “uma questão fundamental na agenda desta cimeira” e um tema em que os países ibéricos e latino-americanos têm “muito mais que una do que divida”.

A comunidade de 22 países ibero-americanos tem “uma grande riqueza do ponto de vista político e socioeconómico e uma grande complementaridade, que pode ser utilíssima” para fazer frente a estes problemas, disse.

O chefe de Estado acrescentou que “Portugal sente-se muito à vontade, porque tem sido um protagonista cimeiro nesse como noutros pontos da cena internacional”.

“A posição portuguesa tem sido consistente sobre matéria de migrações. Somos, aliás, exemplares nessa matéria”, defendeu.

Sobre os milhares de migrantes que rumam aos Estados Unidos da América a partir da América Central, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que são “várias caravanas, não apenas uma, de várias origens, e que vão conhecendo modificações no seu percurso”.

“Uma parte importante dessas caravanas tem vindo a fixar-se no México, que tem mostrado uma capacidade de acolhimento que deve ser sublinhada”, elogiou.