Um pack de baterias – aqueles que alimentam os motores eléctricos de alguns dos veículos mais amigos do ambiente – é composto por uma série de pequenas unidades denominadas células, ligadas entre si, sejam elas cilíndricas como as da Tesla, prismáticas como as novas do Grupo Volkswagen, ou de bolsa, como as preferidas dos sul-coreanos da Hyundai e Kia.

Sucede que, se a Tesla produz as suas próprias células em colaboração com a Panasonic, nas suas instalações no Nevada, os restantes fabricantes dependem de fornecedores que produzem as células, para depois as entregarem nas suas fábricas que montam os packs. Mas a realidade é que sem células não há packs e, sem eles, não há carros eléctricos. Sendo que a maioria das células de que dependem os fabricantes europeus, e alemães em particular, vêm da China, Coreia do Sul e do Japão.

Para combater esta dependência, que desloca para o exterior uma série de postos de trabalho e riqueza, além de colocar em perigo (por excesso de dependência) os trabalhadores alemães, o Governo local decidiu incentivar a produção de células. De acordo com o ministro de Economia, Peter Altmaier, “esta produção na Alemanha deve começar tão rapidamente quanto possível”, apesar de os especialistas na área não julgarem ser possível que avance antes de 2021. E nem convém, pois a maioria dos fabricantes alemães de automóveis já têm contratos fechados com fornecedores de células para os próximos anos.

Há um ponto que convém não escapar aos responsáveis alemães, que se prende com a disponibilidade dos materiais necessários para a produção das células, coisa que, por exemplo, o Grupo Volkswagen já garantiu para os próximos anos, apesar da produção de células ser assegurada por terceiros, uma vez que sem materiais como o lítio e o cobalto, entre outros, não há células.

Este forcing para a produção das células já vem tarde para a Terra E Holding GmbH, empresa alemã que já anunciou pretender em breve arrancar com uma produção de 34 GWh de baterias. Esta e as próximas fábricas de células vão ajudar a criar trabalho na Alemanha, levando os fabricantes locais a concentrar no seu país as suas próprias linha de produção, bem como atrair outros construtores. Como a Tesla, que já afirmou estar à procura de um local na Europa para instalar a sua 3ª Gigafactory, depois da que possui no Nevada e a que em breve vai inaugurar na China. E se a Alemanha já era um dos principais candidatos, a presença das fábricas de células pode assegurar-lhes a vitória.