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Videojogos

Lisboa Games Week. Os miúdos estão bem: há visitas de estudo ao mundo dos videojogos

Pavilhões a abarrotar e muitas marcas a fazer negócio, é tudo verdade, mas também se aprende com "Fortnite" ou "League of Legends". O Lisboa Games Week termina este domingo.

A quinta edição do Lisboa Games Week decorreu entre 15 e 18 de novembro, na FIL, em Lisboa

KIMMY SIMÕES/OBSERVADOR

“Já tínhamos vindo no ano passado”, conta João, de 14 anos. Acompanhado pelos amigos João e Duarte, com 13 e 15 anos, o aluno da escola D. João II, em Setúbal, foi ao Lisboa Games Week em visita de estudo. Tal como estes três, milhares de estudantes passam pela FIL nos últimos dias com tarefas para cumprir, motivadas pelas mais variadas disciplinas. A maioria respondia que estavam ali devido a “disciplinas de automação” ou “informática”. “Talvez haja tempo para os videojogos”, assume Inês Pereira, de 16 anos. Mas o principal objetivo, segundo o horário que tinham, era participar em workshops. E por vezes as razões da visita eram as mais inesperadas. Como contou João, a presença na Lisboa Games Week fazia parte “da aula de Religião e Moral”.

Nos dois pavilhões, apesar de existir espaço para aulas de informática promovidas pelo ISCTE e pela Direção Geral da Educação, há, principalmente, muitas experiências de gaming. Marcas como a Nintendo, a Playstation, a Xbox, a Asus ou a HP têm stands próprios com as últimas novidades desta indústria. Contudo, outras áreas como o Indie X, um espaço para produtores independentes de videojogos, o Robot Party, um stand dedicado à robótica, e o RetroGames, com máquinas de flippers e plataformas antigas (como o Commodore 64), fazem deste um evento importante para quem também quer aprender mais sobre o o mundo dos jogos.

“Quero ser um game developer”

Pedro Pinto, de 19 anos, visitou o espaço enquanto adepto de cosplay — os mascarados de personagens da cultura pop — mas assume que está “a estudar para ser game developer [criador de videojogos]”. Para conhecer os grandes nomes da indústria, este pode não ser “o evento ideal”, diz. Mas há exceções:

Aqui não há nenhum criador de videojogos [dos conhecidos], há televisões sem cara, mas na zona Indie dá para conhecer quem realmente está a fazer jogos”, explica o estudante universitário.

Já Pedro Amaral, um amigo de 18 anos que também foi ao evento, diz que está ali “mais por causa do Pokémon e do Super Smash Bros. [duas novidades da Nintendo no local para os visitantes jogarem]”. No entanto, tem um problema: “Quero jogar, mas as escolas estão todas a encher isto”. As visitas de estudo mandam nos primeiros dois dias do evento. Apesar de não estar, de longe, tão cheio como no sábado e domingo, estas iniciativas preenchem os pavilhões das 10h00 às 17h00, entre quinta e sexta.

A professora de ensino básico Maria do Carmo Oliveira, de uma escola na Vidigueira, passeava no evento rodeada de crianças e explica este fenómeno: “Fizemos uma visita de estudo e trouxemos quase 160 alunos. O objetivo é enquadrar o evento em várias disciplinas, principalmente TIC [Tecnologias da Informação e da Comunicação]”. A escola “organiza a visita” e, mesmo tendo agenda para os estudantes participarem em workshops de programação, deixam também tempo para os alunos poderem experimentar as últimas novidades, com especial atenção nos jogos. “Eles divertem-se e aprendem”, afirma a educadora.

Nicole da Silva é professora de inglês na St. Paul School, uma escola de Coimbra que levou à FIL, em Lisboa, cerca de 40 alunos. “É quase toda a nossa escola”, contou-nos. A professora para de falar inglês com os alunos [é uma obrigação da instituição] para nos explicar que a visita “enquadra-se mais na informática, mas é promovida também pela motivação e o interesse que gera nas crianças”. Nesta escola, os alunos “trabalham sempre com tablets e isto apela sempre à tecnologia”, conta. “Damos uma voltinha e deixamo-los fazerem o que quiserem. Fazemos muitas atividades e os pais aceitam”, refere.

Perto da professora, que estava junto ao stand da Microsoft, estão também vários alunos. Paulina Lawrence, de 8 anos (“mas quase com 9”), conta: “O melhor é ver estas coisas todas interessantes, jogar jogos como o Fortnite e experimentar a realidade virtual”. Uma colega, Beatriz Pires, de 10 anos, assume: “Vale a pena o tempo todo de viagem na autoestrada [desde e para Coimbra]”.

YouTubers e alta competição (eletrónica)

Principalmente em palcos e mesas com computadores onde jogadores disputam partidas de “League of Legends” e “Fortnite”, o espírito era o de competição. É esta vertente que leva o Sporting Clube de Portugal e a divisão de eSports da Federação Portuguesa de Futebol a marcarem presença no evento.

O Sporting foi o primeiro Clube a ter uma equipa de eSports. A divisão de eSports da Federação Portuguesa de Futebol também marcou presença com competições do jogo FIFA.

“Epá, esse ataque foi mau”. “Nem acredito que se defendeu assim”. “A outra equipa está a jogar melhor”. Os comentários podiam ser de bancadas de futebol, mas no Lisboa Games Week eram comuns em torno de computadores com jogos de tiros como o CS: GO. YouTubers como Nuno Agonia ou Wuant são algumas das caras do evento e congregam público em grande número, mas o palco principal da Worten Games Ring ou da Nintendo também tiveram batalhas de videojogos que fizeram filas e juntaram audiências, mesmo que apenas para assistir a resultados de partidas de videojogos.

“Às 11h00 e às 15h00 de sábado, os pavilhões estavam completamente cheios, é normal”

Um dos principais organizadores do evento, Pedro Silveira, diretor da E2Tech, conversou com o Observador. Quanto às visitas de estudo, refere que oferecem um”modelo do serviço educativo às escolas e as que querem vão ao evento por um preço reduzido”. Para garantir a qualidade desta parceria, juntam entidades como “a DGES, o ISCTE ou a Happy Code”.

Referindo-se à organização do evento, o responsável afirmou que cada vez mais apostam noutras áreas além do gaming, como os concursos de Cosplay e os stands de merchadinsing de cultura pop. Está naturalmente consciente da existência de eventos que também têm zonas de gaming e YouTubers, como a Comic Con Algés. Mas explica: “Não sou, de longe, concorrente, o Lisboa Games Week é um evento de raiz de gaming”.

Como noutras edições, as filas voltaram a ser recorrentes. “Às 11 e às 15 de sábado os pavilhões estavam completamente cheios, mas nestes eventos é normal”. O incentivo para futuras edições passa por ter agendas mais cativantes ao domingo e nos primeiros dias da semana. Quanto a aumentar pavilhões, refere: “O que está a acontecer é um crescimento sustentado. Não posso abrir um terceiro pavilhão, não tenho capacidade financeira e de conteúdo para o fazer”.

Nesta quinta edição, a ambição era a de passar “a barreira dos 60 mil visitantes”. Pedro Silveira, também diretor de eSports do Sporting, diz que para garantir esta sustentabilidade não vai dar “saltos de 30/40 mil visitantes” [em 2017, o primeiro ano com dois pavilhões, o evento teve cerca de 55 mil visitantes].

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