Ambiente

Ajudas aos PHEV não fazem sentido, dizem ingleses

Os veículos híbridos plug-in usufruem, sobretudo na Europa, de uma série de vantagens não justificáveis face aos concorrentes, sejam eles 100% eléctricos ou 100% a combustão. E os ingleses provam-no.

O Reino Unido é um dos mercados mais atractivos para os PHEV, pelos incentivos que oferece. Mas este estudo aponta para uma realidade óbvia: não há qualquer controlo sobre se o condutor de um PHEV carrega a bateria do seu carro, o que torna descabido os incentivos

Uma empresa britânica especializada na gestão de frotas, a Miles Consultancy (MC) concluiu que os modelos equipados com motorizações híbridas plug-in (PHEV) obtinham médias de 5,9 l/100 km (40 mpg), em vez de 1,8 l/100 km (130 mpg) que, na sua opinião – baseada nos dados reivindicados pelos fabricantes, deveriam atingir.

A conclusão da MC é que os utilizadores não recarregam as baterias dos seus PHEV, utilizando-os como meros híbridos, não aproveitando pois as distâncias que conseguem percorrer em modo eléctrico, poupando combustível fóssil e, por tabela, emissões poluentes.

Assim sendo, a justificação para escolher um PHEV, em vez de um concorrente exclusivamente a gasolina, diesel ou 100% eléctrico, seria meramente económica, para beneficiar das 2.500 libras (cerca de 2.800€) de incentivos concebidos pelo Governo inglês. Aliás, o CEO da MC, Paul Hollick, chega mesmo ao ponto de afirmar isto:

Temos provas que os condutores dos PHEV não recarregam as baterias dos seus veículos, pois em muitos casos os cabos ainda estavam na mala, dentro do saco original e ainda envolvidos em celofane”.

Conclui Hollick que os “condutores optam por não recarregar as baterias, apesar de isso os obrigar a pagar do seu bolso o custo adicional de combustível”.

Esta conclusão da empresa britânica não é propriamente uma novidade, uma vez que já anteriormente, na Holanda, se tinha perecebido que o incremento das vendas de PHEV se tinha ficado a dever aos incentivos estatais e não a uma perseguição de melhores consumos e emissões. E a prova que esta era a realidade foi fornecida pela queda brutal da procura, por esta classe de veículos, assim que os incentivos foram retirados.

Esta análise da MC é tão mais importante quanto o mercado do Reino Unido é o maior na Europa para os PHEV e, aí, 70% dos veículos com estas características são adquiridos por empresas, como carros de serviço. Contudo, é preciso ter presente que os incentivos pagos pelos diferentes governos são determinados em parte pelos consumos anormalmente baixos – e irrealistas – que os PHEV declaram à entidades reguladoras, mesmo segundo o WLTP. Para aceitar que um veículo, tenha ele 120 cv e muito menos se possuir 500 ou mais cv, reivindique um consumo de apenas 2 ou 3 l/100 km, é preciso não fazer ideia do que é um automóvel ou como se comporta um motor de combustão. Contudo, é exactamente isto que o regulador permite (e premeia), aceitando um valor que é impossível de atingir nos primeiros 100 km e praticamente ‘pornográfico’ nas centenas de quilómetros seguintes. Tendo sempre presente que não há forma de ter a certeza, ou de garantir, que os condutores dos PHEV recarreguem as baterias, o que torna questionável que lhes seja permitido anunciar consumos excessivamente reduzidos e aceder a incentivos que, por isso mesmo, não se justificam.

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