O Presidente da República afirmou esta quarta-feira, em Sintra, por ocasião das comemorações dos 50 anos do Museu do Ar, que a instituição museológica é a prova “do crescimento, da pujança e da maturidade” da Força Aérea Portuguesa (FAP).

Este museu é a prova da afirmação histórica do crescimento, da pujança e da maturidade da Força Aérea Portuguesa”, salientou Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado, que visitou o museu sediado na Base Aérea de Sintra, acompanhado do ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, destacou que se trata de “uma instituição aberta”, com núcleos da TAP e da ANA-Aeroportos de Portugal, “que mostram a colaboração” entre a aviação militar e civil.

Marcelo Rebelo de Sousa também assinalou a colaboração entre a Câmara de Sintra e a FAP, nomeadamente no restauro do hidroplanador “Portugal”, pelos alunos da Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra. Aos jovens que participaram na recuperação do exemplar único aeronáutico, construído no início dos anos de 1930, o Presidente destacou a “importância da formação profissional”, pois “longe vai o tempo em que se pensava que uma boa saída [profissional] era um curso clássico”. “Muitas ocasiões e oportunidades terão saídas mais realizadoras do que muitos dos cursos clássicos”, frisou.

Na visita pelo museu, Marcelo Rebelo de Sousa sentou-se na cabine do bimotor de carga DC3/C47 Dakota, fabricado nos Estados Unidos da América e que durante a Segunda Guerra Mundial largou paraquedistas sobre a Normandia, no “Dia D”, em 1944, ostentando as “cores” da TAP como exemplo das aeronaves utilizadas nas ligações entre Lisboa e Angola e Moçambique.

O chefe de Estado sentou-se também, acompanhado pelo ministro da Defesa, no modelo em corte do helicóptero SE 3160 Alouette III, aparelho monoturbina que serviu para a formação de mecânicos nas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA) em Alverca.

O comandante supremo das Forças Armadas agradeceu à FAP pelos serviços prestados à nação, incluindo os que serviram nos anos de 1950 e “nos difíceis anos 60 e 70”, notando que não há país que seja independente sem forças armadas.

No discurso após a visita, Marcelo Rebelo de Sousa vincou que Portugal só será grande com forças armadas prestigiadas e que o Museu do Ar “contribui para esse prestígio”.

O Museu do Ar, com sede na Granja do Marquês, concelho de Sintra, foi inaugurado em Alverca, município de Vila Franca de Xira, em 1 de julho de 1969, num antigo hangar das OGMA. A falta de espaço disponível em Alverca, devido ao crescimento do acervo histórico, levou a FAP a projetar um novo espaço museológico num hangar na Base Aérea n.º 1, na Granja do Marquês, concretizado em dezembro de 2009, com o apoio da autarquia de Sintra.

A segunda fase de expansão foi inaugurada em 2011, com a reestruturação de três hangares cuja matriz arquitetónica remonta a 1920, quando a Escola da Aviação Militar de Vila Nova da Rainha se transferiu para a Granja do Marquês.

Segundo dados da FAP, a que a Lusa teve acesso, em mais de 8.000 metros quadrados estão expostos mais de 40 aviões e helicópteros, simuladores, motores, hélices e outros equipamentos aeronáuticos. Entre a valiosa coleção de aviões históricos destacam-se exemplares do Junker JU52 (1930), Avro Cadet (1931), DH-87 Hornet (1934), DH-89 Dragon Rapide (1934), Spitfire (1934), DC3 Dakota (1935) ou o F-86 Sabre (1947).

A FAP pretende reforçar “o restauro de aeronaves com significativo valor histórico, alargar a implantação territorial através da abertura de novos polos do museu e expandir as instalações de Sintra”, o que permitirá expor novas aeronaves e inúmeros equipamentos e materiais existentes em reserva.