O Presidente da República afirmou esta quinta-feira que está “fora de causa” qualquer interferência externa, de qualquer país, na vida interna portuguesa, após ser questionado sobre um alegado desagrado da China face à política energética nacional.

À saída de uma iniciativa no Centro de Congressos de Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa foi interrogado pela RTP sobre se em algum momento se reuniu com o embaixador da China e lhe foi transmitido por este algum incómodo em relação à política de energia, por causa da EDP.

“Tudo o que é agenda privada, isto é, não pública, do Presidente da República, não é divulgada”, começou por responder. “Agora, há uma coisa que eu posso dizer, que é óbvia, que é que está fora de causa que qualquer país, qualquer representante diplomático, qualquer governante de outro país possa imiscuir-se na vida interna portuguesa — como nós também não interferimos na vida interna de outros países”, afirmou o chefe de Estado, em seguida.

Marcelo Rebelo de Sousa reforçou que “está fora de causa que tenha havido o que quer que seja, em qualquer caso, em qualquer circunstância” por parte de um país estrangeiro, dos seus governantes, representantes “ou quem quer que seja que possa ter sequer pensado que influenciava a vida política portuguesa”. “Isto está completamente fora de causa”, frisou.

Referindo-se, depois, à programação de visitas de Estado a Portugal como a do Presidente de Angola, iniciada esta quinta-feira, ou a do Presidente da China, Xi Jinping, agendada para o início de dezembro, Marcelo Rebelo de Sousa disse que está “fora de causa” que “isso possa ser influenciado minimamente por realidades da vida interna portuguesa”.

“Como, penso eu, não pode nem deve ser influenciado por realidades da vida interna desses países. Mas, no que respeita a Portugal, a posição é muito clara: isso não influencia, de todo em todo, aquilo que são visitas de Estado ou relações diplomáticas entre Estados”, acrescentou.

O Presidente da República foi ainda questionado pela RTP sobre o afastamento do diretor-geral da Energia, mas recusou pronunciar-se sobre essa “matéria do foro do Governo”. “O Presidente da República intervém no que diz respeito, naturalmente, à composição do Governo, dentro dos limites da Constituição. Mas não intervém naquilo que é Administração Pública, que é poder executivo”, referiu.