As buscas desta quinta-feira desenvolvidas pela Polícia Judiciária (PJ) no Destacamento da GNR da Póvoa de Lanhoso relacionam-se com eventual crime informático e violação de correspondência trocada entre militares através do Facebook, disse à Lusa fonte policial.

Segundo a fonte, a investigação da PJ está relacionada com conversas informais que quatro militares mantiveram no Messenger, o chat do Facebook. Alguém terá acedido “ilicitamente” a essas conversas e tirado prints, que entretanto chegaram aos superiores hierárquicos.

Paulo Pinto, coordenador no norte da Associação Profissional da Guarda, disse à Lusa que essas conversas “não passavam de desabafos” trocados entre os militares em questão sobre a forma como atuavam as chefias.

“Conversas perfeitamente normais, desabafos perfeitamente normais, que não foram publicados no Facebook mas sim trocados em privado e a que alguém conseguiu aceder ilegalmente, ou aproveitando uma sessão aberta ou tendo acesso à palavra-passe. Ironicamente, foi essa ilegalidade que fez com que o caso chegasse ao Tribunal Militar”, criticou.

Os quatro militares foram acusados de insubordinação mas, e ainda segundo Paulo Pinto, o Tribunal Militar arquivou o caso, face à forma ilícita como as provas foram obtidas. Mesmo assim, os quatro foram afastados da investigação criminal, um afastamento que ainda se mantém.

Sublinhou que, mesmo afastados da investigação criminal, os quatro “continuaram a praticar serviços relevantíssimos” à GNR, “que foram mesmo destacados na página de Facebook da Guarda”. “O mínimo que podemos exigir é a reintegração imediata dos quatro na investigação criminal e o apuramento de todas as responsabilidades criminais deste caso”, acrescentou Paulo Pinto.

As buscas desta quinta-feira da PJ decorreram nas instalações do Destacamento da Póvoa de Lanhoso da GNR e nas residências de alguns militares.