Rádio Observador

Bactérias

Investigadores portugueses descobrem antibióticos contra a bactéria que provoca “anthrax”

391

Um grupo de cientistas portugueses descobriu antibióticos que podem eliminar as bactérias responsáveis pela doença do "anthrax". O próximo passo é testar em animais, depois em humanos.

Representação esquemática da membrana celular da bactéria (à esquerda) e danos causados pela ação do antibiótico (à direita)

Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

Uma equipa portuguesa de investigadores descobriu um conjunto de antibióticos derivados de açúcar que permitem combater a bactéria Bacillus anthracis, que provoca a doença do “anthrax” (ou antraz, em português). Os esporos desta bactéria podem ser usados como arma biológica em atos de bioterrorismo, como aconteceu nas cartas enviadas a dois senadores e alguns meios de comunicação nos Estados Unidos, em 2001.

Os químicos da equipa partiram de moléculas de açúcar, como a glicose, que modificaram para que pudessem interferir na membrana das bactérias (destruindo-a) e na capacidade de germinação dos esporos, que depois dão origem à bactéria. Os resultados da investigação foram publicados a 19 de novembro na revista científica Nature.

Matar as bactérias, pela destruição da sua membrana, evita que as bactérias desenvolvam resistência contra os antibióticos como acontece com as terapias atualmente disponíveis, disse, em comunicado, Amélia Pilar Rauter, líder do grupo de Química dos Glúcidos da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Neste momento, as moléculas e o mecanismo proposto são apenas uma possibilidade apresentada para um antibiótico. Para que possa chegar ao mercado é preciso que uma empresa tenha interesse no trabalho desta equipa e que faça ensaios, primeiro com animais em laboratório e, depois, com humanos. Além de tratar pessoas que tenham sido infetadas pontualmente com a bactéria, pode ser usada como solução nas situações de bioterrorismo. “Havendo formas de combater a doença, torna-se mais fácil o combate ao terrorismo”, afirmou a investigadora.

Em declarações à Antena 1, Amélia Pilar Rauter, que liderou a investigação, explicou que os antibióticos “são derivados de açúcares e são biodegradáveis”. Este fator também é relevante na medida em que pode reduzir o impacto ambiental, uma vez que as estações de tratamento de águas residuais não têm, normalmente, capacidade para eliminar antibióticos e outros medicamentos da água.

A bactéria que causa antraz encontra-se no solo e, por essa razão, o primeiro contacto é feito pelos animais que se alimentam junto ao solo, como os herbívoros, que inalam ou ingerem os esporos. Os humanos que trabalham a terra ou que manuseia os animais contaminados também podem ficar infetados, sobretudo por via cutânea. O maior perigo para a saúde acontece quando as pessoas inalam os esporos, como acontece nos casos de bioterrorismo em que os esporos vêm misturados com um pó facilmente inalável. Nestes casos, pode provocar a morte.

A bactéria existe naturalmente em solos de vários locais do mundo, incluindo na Europa. Como pode afetar tanto animais domésticos como selvagens, é difícil de erradicar.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)