As últimas duas semanas não tiveram campeonatos nacionais devido aos compromissos das seleções mas mostraram, mais uma vez, o porquê da saída de Cristiano Ronaldo do Real Madrid para a Juventus. Por um lado, a imprensa espanhola vai deixando cada vez mais sinais de que a relação entre Florentino Pérez e o avançado tinha chegado a um fim de linha incontornável, o que traz também problemas de outro tipo para o líder dos merengues (que voltou a ver a equipa vulgarizada este sábado frente ao Eibar, com nova derrota por 3-0); por outro, os jornais transalpinos defendem o capitão da Seleção como poucas vezes se viu na capital espanhola, desta feita perante a possibilidade de ficar de fora dos três primeiros na Bola de Ouro; por fim, não há dia em que não venha alguém ligado à Vecchia Signora elogiar o 7 por tudo aquilo que trouxe à equipa. O português tem um amor incondicional ao jogo mas também se torna melhor quando se sente amado. Em Itália, é. E de forma incondicional.

O último exemplo chegou de um sócio anónimo do conjunto de Turim. Mario Stefanini faleceu na semana passada aos 77 anos e teve um obituário que rapidamente saltou da pequena cidade de Fornacci de Barga para o mundo. “Mario Stefanini, Il Doro. Os seus filhos anunciam a triste notícia da sua morte. O funeral decorrerá no sábado [dia 17] no cemitério de Loppia. Em vez de flores, por favor tragam golos de Cristiano Ronaldo”, lia-se no texto que se tornou viral. “Agora têm mais um motivo para ganhar a Liga dos Campeões, para dedicarem ao meu pai”, acrescentou mais tarde o filho Claudio, em declarações ao “Il Giornale di Barga”. Através das redes sociais, esse pedido chegou também ao clube.

Ronaldo chegou, viu e venceu em Turim, onde é visto como um Deus pelos adeptos da Juventus (MARCO BERTORELLO/AFP/Getty Images)

Não que fosse necessário porque basta a Ronaldo haver um jogo, qualquer ele que seja, para querer marcar e ganhar. É assim desde miúdo, continua a ser assim aos 33 anos. Mas havia mais esse motivo extra para o português voltar a brilhar. E foi isso que aconteceu, num jogo onde a Juventus voltou a ganhar (2-0 à SPAL) e CR7 estabeleceu mais um recorde.

Num jogo onde os comandados de Massimilano Allegri sentiram algumas dificuldades sobretudo na primeira parte, pela forma como a SPAL conseguiu condicionar as ações de Pjanic e Betancur no corredor central (sobrando assim os alas Cuadrado e Diego Costa para municiarem a dupla Ronaldo-Mandzukic), o português inaugurou o marcador aos 29′, no seguimento de um livre lateral marcado para o desvio no coração da área de pé esquerdo. Desta forma, Ronaldo não só igualou Piatek na lista dos melhores marcadores da Serie A (nove golos) como se tornou o mais rápido de sempre a apontar dez golos pela Juventus, tendo para isso necessitado apenas de 1.317 minutos entre Campeonato e Liga dos Campeões.

No segundo tempo, a Juventus, que defronta na próxima terça-feira o Valencia na Champions e que por isso deixou nomes como Chiellini, Cancelo ou Dybala de fora do onze inicial, surgiu mais assertiva no último terço e, já depois de um livre direto ao poste de Douglas Costa, Mandzukic aumentou para 2-0 aos 60′ num lance que começou com um lançamento em profundidade para Ronaldo, que conseguiu ganhar a bola à defesa contrária em velocidade, assistir Douglas Costa para o remate com defesa incompleta de Gomis e permitir ao croata, hoje promovido a capitão, encostar fácil para golo.

Ronaldo, que apontou o sexto golo nos últimos seis jogos do Campeonato e conseguiu marcar pela primeira vez em três encontros seguidos desde que chegou a Turim, ainda tentou com um míssil de fora da área (defesa de Gomis), com um pontapé de bicicleta (por cima da trave da SPAL) e com um remate na área (ao lado) aumentar a vantagem, mas a partida chegaria mesmo ao fim com 2-0 e num ritmo de poupança física, naquela que foi a 12.ª vitória em 13 jogos da Juve na Serie A.