O Banco de Inglaterra publicou esta quarta-feira um relatório que destrói completamente os cenários de um Reino Unido sem acordo para o Brexit. Dizendo que a saída desordenada da União Europeia (sem cumprir o plano de Theresa May) poderá vir a causar danos económicos muito superiores aos da crise de 2008, o relatório aparece como a última tábua de salvação de Theresa May para não ver o seu plano para o Brexit ser chumbado no Parlamento no próximo dia 11 de dezembro.

Segundo o documento, uma saída do Reino Unido da UE fora dos termos acordo negociado com Bruxelas, o PIB do Reino Unido poderia sofrer uma redução de 8%, assim como os preços da habitação poderiam cair até 30% e a inflação disparar para 6,5%. Isto sabendo que, no auge da crise económica de 2008, a economia britânica caiu 6,5%. O alerta vermelho é transversal a todo o relatório, salvo uma parte em que o Banco de Inglaterra tenta suavizar o tom ao dizer que ao longos dos últimos anos o país foi-se preparando para eventuais cenários de catástrofe financeira, pelo que as instituições não iriam desmoronar.

Segundo a BBC, o Banco de Inglaterra diz ainda que a libra pode cair um quarto do valor, e que o desemprego pode subir 7,5%. A ressalva é que o cenário ali traçado não é o que o Banco espera que aconteça, mas sim aquilo que pode vir a acontecer no pior cenário possível de “saída desordenada”. O relatório baseia-se nos cinco anos que se seguem depois de o Reino Unido deixar a UE.

Os avisos do Banco de Inglaterra surgem precisamente no mesmo dia em que o governo de Theresa May divulgou um outro relatório onde estão contemplados os vários cenários posteriores à saída do Reino Unido da UE, onde se conclui que nenhum deles será melhor do que a situação atual de permanência nas instituições comunitárias.  Nesse documento do governo, estimava-se que o Brexit dentro dos termos do acordo custará ao país 0,6% do Produto Interno Bruto em 15 anos — quebra que, no caso de uma saída sem acordo, se eleva a 7,7%

Brexit. May defende no parlamento que acordo garante menor impacto económico

Esta quarta-feira, a primeira-ministra britânica defendeu no parlamento que o acordo que negociou com a União Europeia garante um impacto económico menor e descartou que o país vá ser “mais pobre no futuro”. Na sessão semanal de perguntas e respostas na Câmara dos Comuns, May repetiu que o acordo de Brexit, apoiado no domingo pelos 27 em cimeira extraordinária, “é o melhor disponível” para proteger os empregos e a economia.

A primeira-ministra falava depois da divulgação de um relatório do seu executivo segundo o qual a saída do Reino Unido da UE com base no plano governamental conhecido como Plano Chequers, que Bruxelas rejeitou, custará ao país 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 15 anos — quebra que, no caso de uma saída sem acordo, se eleva a 7,7%. A estimativa comparava a evolução do PIB com as perspetivas de crescimento se o país permanecesse na União.

“Esta análise mostra que não seremos mais pobres no futuro; mostra que estaremos melhor com este acordo”, disse May aos deputados, lembrando que faltam menos de duas semanas para a votação do acordo no parlamento — votação essa que está longe de estar garantida.