A Polícia Federal do Brasil realiza esta quinta-feira uma grande operação de combate ao tráfico internacional de drogas contra um alegado grupo criminoso que movimentou 2,2 toneladas de cocaína que teriam sido enviadas ou que seriam despachadas para a Europa.

Além das drogas, as autoridades da polícia brasileira descobriram um “banco informal” responsável pelo branqueamento de capitais com origem em diversos crimes, como contrabando.

“A movimentação dessa instituição financeira clandestina foi de aproximadamente 1,4 mil milhões de reais [320 milhões de euros] nos últimos três anos”, disse, em comunicado, a Polícia Federal (PF) brasileira.

Esta operação, denominada Planum, nasceu de uma investigação aberta em 2017 para apurar o envio de cocaína da Bolívia para o estado brasileiro do Rio Grande do Sul.

As autoridades brasileiras descobriram que aviões partiam de Mato Grosso do Sul para serem carregados com uma grande quantidade de cocaína (em média 500 quilos) na Bolívia e seguiam até Rio Grande do Sul, onde pousavam em fazendas adquiridas pela organização criminosa.

Depois de chegar ao Brasil “a droga seguia por via rodoviária para outros estados e permanecia em depósitos até ser despachada para a Europa através de portos brasileiros”, informou o mesmo comunicado da PF.

Uma das apreensões realizadas antes da operação ocorreu no terminal portuário de Navegantes, em Santa Catarina, a 6 de maio de 2016, quando 811 quilos de cocaína, escondidos em blocos de granito, foram localizados em contentores que seriam despachados para Espanha.

Numa outra ação, a 23 de junho deste ano, a Polícia Federal detetou 448 quilos da droga escondidos num bloco de cimento, num camião que circulava no município de Unistalda, no Rio Grande do Sul.

“Até ao momento, foi possível comprovar o volume de 2,2 toneladas de cocaína que foram enviadas ou que seriam despachadas do Brasil para a Europa pelo grupo criminoso”, acrescentaram as autoridades da polícia.

A investigação também realiza uma análise de dados bancários e fiscais e informações compartilhadas que possibilitaram o rastreamento do fluxo financeiro do grupo criminoso, indicando a utilização de ‘doleiros’ (negociantes de dólares no mercado paralelo) em São Paulo para o pagamento das transações do tráfico de drogas no exterior.

A investigação já rastreou cerca de 90 empresas de fachada e 70 pessoas empregadas como “fantasmas” do grupo criminoso para a operacionalização do branqueamento de capitais e operações de câmbio ilegais.

Os crimes investigados na Operação Planum são organização criminosa, tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico de drogas, operação de instituição financeira sem a devida autorização, operação de câmbio não autorizada e branqueamento de capitais.