Só se tiver um carro com zero emissões poluentes é que poderá, a partir desta sexta-feira, circular livremente no centro de Madrid. Entraram em vigor as limitações do plano “Madrid Central”, que partilham algumas das ideias já aplicadas em outras cidades, incluindo Lisboa, como a proibição de circulação de carros mais antigos, mas que levam as limitações bem mais longe. O objetivo é melhorar a qualidade do ar e tirar veículos do centro da cidade, libertando-a para outros tipos de veículos como as bicicletas e scooters elétricas. E para as pessoas, defende a autarquia.

Uma boa parte do centro de Madrid, equivalente a 472 hectares, fica vedada a vários tipos de automóveis, o que há várias semanas está a gerar controvérsia na cidade. A principal medida é a proibição da circulação a veículos que não tenham obtido uma certificação especial ou que não tenham outras das condições de exceção, como veículos de pessoas com mobilidade reduzida, veículos de emergência, transporte público ou transporte escolar e residentes que precisam de aceder a garagens particulares.

As regras preveem que os carros com motor a gasolina produzidos antes de 2000 e os de gasóleo (diesel) anteriores a 2006 fiquem proibidos de circular na zona central, a menos que sejam residentes ou que tenham alguma isenção específica. Os carros que tiverem a certificação zero podem circular livremente, ao passo que os que tiverem classificação Eco (para os híbridos) têm limitações menores. Já os B ou C só podem circular se estiverem a dirigir-se para estacionar num parque de estacionamento.

Para obter as certificações é preciso ir a uma estação dos correios com o livrete do carro — o custo é de cinco euros por veículo.

Para quem vem de fora ou vai visitar moradores da zona, cada morador vai ter direito a 20 convites por mês para dar acesso a veículos de familiares ou amigos. Os veículos de GPL têm permissão para estacionar durante um máximo de duas horas e as carrinhas de transporte de produtos, que abastecem, por exemplo, os restaurantes e comércio local, têm permissão para aceder à zona das 7 da manhã até às 13h (só os mais modernos e menos poluentes poderão entrar até às 9 da noite).

As novas medidas vão ter uma aplicação faseada: até ao início de janeiro haverá uma espécie de período experimental, em que as autoridades vão monitorizar as alterações na circulação; numa segunda fase vai ser ativado um controlo de matrículas através de câmaras de vídeo e os infratores vão ser avisados. A partir de março, numa terceira fase, as autoridades irão passar a controlar as entradas de forma mais rígida e podem multar os automobilistas que circularem de forma irregular.

O plano é a medida mais mediática da presidente da Câmara Manuela Carmena, do partido Ahora Madrid, com ligação ao Podemos, e deverá tirar cerca de 58 mil carros da cidade, reduzindo em 40% as emissões poluentes na cidade. Neste primeiro dia, a empresa municipal de transportes indicou que houve uma redução média de 50% no tempo de cada viagem naquela zona.