O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, anunciou esta sexta-feira que o almirante Bento Costa Lima Leite de Albuquerque será o ministro de Minas e Energia no Governo, reforçando o perfil claramente militar do seu gabinete.

“Comunico a indicação do Diretor Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, Almirante de Esquadra Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Junior, para o cargo de Ministro de Minas e Energia.”, escreveu na rede social Twitter. Bolsonaro, que é um capitão da reserva do Exército, fez o anúncio nas redes sociais, onde baseou toda a sua comunicação desde a campanha eleitoral.

O futuro Ministro de Minas e Energia é atualmente o diretor-geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, foi observador do Brasil na Força de Paz da ONU em Sarajevo e comandante de submarinos. Bento Costa Lima Leite de Albunqueque também foi chefe da divisão de Ciência e Tecnologia Marítima, chefe do Gabinete do Chefe de Gabinete da Marinha e Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Marinha, bem como diretor geral da Secretaria da Junta Interamericana de Defesa.

O almirante é o décimo membro do gabinete do futuro Governo brasileiro que pertence ou mantém uma relação forte com as Forças Armadas do país. Bolsonaro já havia anunciado o general Fernando Azevedo e Silva como ministro da Defesa, o general da reserva Augusto Heleno Ribeiro como chefe de Segurança Institucional, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz como secretário de Governo Geral e o tenente-coronel Marcos Pontes como ministro de Ciência e Tecnologia.

A proximidade do Governo Bolsonaro com as Forças Armadas também ficaram explícitos na escolha do futuro ministro da Saúde, o deputado Luiz Henrique Mandetta, que foi tenente e médico do Hospital Geral do Exército, do advogado Wagner Rosario, que era capitão do Exército e será reconduzido ao comando da pasta Controladoria Geral da União.

Também foi nomeado o engenheiro Tarcísio Gomes de Freitas, formado no Instituto Militar de Engenharia, para assumir o ministério de Infraestrutura. O futuro ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, nascido na Colômbia, residente no Brasil desde 1979, é outro nome que tem relação com o meio militar já que é professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército brasileiro.

Entre os civis, Bolsonaro nomeou o deputado Onyx Lorenzoni como ministro da Casa Civil, a deputada Tereza Cristina Correa como chefe da pasta Agricultura e o Juiz Sergio Moro, que liderou a operação Lava Jato contra a corrupção na estatal petrolífera Petrobras, para comandar o Ministério da Justiça.

Bolsonaro também nomeou o advogado Gustavo Bebianno, presidente do Partido Social Liberal (PSL), como ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, o deputado Marcelo Álvaro Antonio, do Partido da República (PR), como chefe de Turismo, o deputado Osmar Terra, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), no Ministério da Cidadania e o engenheiro Gustavo Canuto na direção do Desenvolvimento Regional.

O homem forte da nova equipa económica do Brasil será o economista Paulo Guedes, um neoliberal formado na Escola de Chicago. Já a pasta das Relações Exteriores será chefiada pelo embaixador Ernesto Araujo, um diplomata de carreira que, como Bolsonaro é admirador do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.