O príncipe saudita Mohammed bin Salman terá enviado, pelo menos, 11 mensagens ao seu conselheiro que, alegadamente, terá orquestrado o assassinato de Jamal Khashoggi, horas antes do crime. Segundo o relatório da CIA a que o The Wall Street Journal teve acesso, essa troca terá acontecido perto da altura da morte do jornalista que colaborava com o Washington Post.

Segundo a avaliação dos peritos que é citada, bin Salman terá comentado com os seus associados, em Agosto de 2017: “nós podíamos atraí-lo [Khashoggi] fora da Arábia Saudita e tratar do assunto”. Este cenário só seria concretizado caso o governante não conseguisse convencer o jornalista, que estava a viver no estado da Virgínia, nos EUA, para regressar à Arábia Saudita.

Jamal Khashoggi acabaria por ser assassinado a 2 de outubro, no consultado saudita em Istambul.O WSJ ressalva, contudo, que é incerto, analisando as informações do relatório, se as mensagens tinha vindo diretamente do monarca ou de algum responsável pela sua comunicação. O relatório explica que as comunicações “parecem referir-se à operação saudita lançada contra Khashoggi”. Outro excerto afirma que a CIA tem “confiança média/alta” de que o Príncipe definiu Khashoggi “pessoalmente” como alvo e que “provavelmente” ordenou a sua morte.

“Para se ser claro, é preciso afirmar que falta-nos confirmação direta de que o Príncipe emitiu a ordem de morte”, afirmam também os especialistas. O conselheiro em questão, Saud al-Qahtani, foi sancionado pela Casa Branca no passado mês de outubro por causa do envolvimento na morte de Khashoggi.

A CIA terá alegadamente concluído que Mohammed bin Salman terá ordenado a morte do cronista do Washington Post, apesar de Trump duvidar dessa informação, afirmando que a agência ainda não alcançou uma conclusão definitiva. Na passada quarta-feira, o Senado fez avançar uma proposta que visa o fim do apoio militar prestado aos sauditas na sua campanha na guerra civil do Yemen. A resolução seguiu em frente, apesar da administração Trump se ter comprometido a apoiar a Arábia Saudita, na sequência da vaga de contestação global motivada pela morte de Khashoggi.