GNR

Associação de Sargentos da GNR afasta cenário de agressões a formandos, mas diz que é caso “grave”

Associação Nacional de Sargentos da Guarda afasta cenário de agressões na formação em Portalegre, mas diz que, a haver lesões, "é grave" e que deve haver apuramento de responsabilidades.

TIAGO PETINGA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O presidente da Associação Nacional de Sargentos da Guarda, José Lopes, afastou este domingo o cenário de agressões na formação da GNR em Portalegre, mas considerou que, a haver lesões, “é grave” e que deve haver apuramento de responsabilidades.

“Não quero acreditar que tenha havido agressões, porque haveria dolo, e tornaria o caso ainda mais grave porque há lesões com gravidade”, disse José Lopes à agência Lusa, num comentário ao alegado espancamento de dez formandos da GNR, segundo a notícia do Jornal de Notícias.

O dirigente associativo explicou ser “normal” algumas lesões nos exercícios de ‘red man’ (homem vermelho), “mas não deste tipo”, já que se simulam alterações da ordem pública. No caso noticiado terá havido recrutas que perderam os sentidos e com lesões oculares.

No exercício de ‘red man’, um formador, com equipamento completo no corpo de cor vermelha, cria “uma altercação de ordem pública e gera confusão para preparar os militares para saberem o que fazer nestas situações”, acrescentou José Lopes.

[O que é a prova de “bastão extensível” que lesionou formandos da GNR? Veja o vídeo:]

Nestas simulações pode haver “bracejar, empurrar”, o que pode levar a “luxações, encontrões e até murros”, mas “não lesões com esta gravidade de problemas de perda de visão e canas do nariz partidas”, disse o responsável, lembrando que existe uma unidade especial da GNR treinada para situações mais graves.

“Queremos saber a verdade, que seja exposto o que aconteceu e que haja correção do que for preciso, além de que se deve aferir qualquer responsabilidade” do caso noticiado agora, sublinhou José Lopes.

O dirigente não deixou de criticar o “desinvestimento na formação, a nível estrutural” na GNR.

“Aqueles que dão formação têm menos experiência de vida e profissional. Têm dois ou três anos de experiência e além de formadores, são responsáveis por unidades curriculares. Têm muita responsabilidade”, acrescentou.

À Lusa, a GNR confirmou a “ocorrência” numa ação de formação e que decorre um processo de averiguações ao caso ocorrido em Portalegre.

“Confirmamos a ocorrência e que foi determinado um processo de averiguações, que não está concluído”, afirmou à agência Lusa o porta-voz do Comando Nacional da GNR, Hélder Barros.

O Ministério da Administração Interna ordenou à Inspeção Geral da Administração Interna a abertura de um inquérito sobre o alegado espancamento, segundo uma nota enviada às redações, na qual se lê que o inquérito visa o “apuramento dos factos e determinação de responsabilidade”.

Segundo o ministério, a confirmarem-se, os factos relatados pelo JN “não são toleráveis numa força de segurança num Estado de Direito democrático”.

No comunicado, o ministério acrescenta que o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, “pediu esclarecimentos ao Comando Geral da GNR sobre os factos descritos na notícia”.

De acordo com o Jornal de Notícias, cerca de dez formandos do 40.º curso do Centro de Formação da GNR, em Portalegre, sofreram graves lesões e traumatismos durante o módulo “curso de bastão extensível”, que obrigaram em alguns casos a internamento hospitalar e a intervenções cirúrgicas.

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