NATO

NATO insta Rússia a cumprir tratado de armas nucleares para “o preservar”

Os aliados reconheceram expressamente que Moscovo "desenvolveu e utilizou" o sistema de mísseis 9M729, que "viola o tratado INF e representa um risco significativo para a segurança euro-atlântica".

OLIVIER HOSLET/EPA

Autor
  • Agência Lusa

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO instaram esta terça-feira a Rússia a cumprir o tratado sobre a eliminação de armas nucleares de médio e curto alcance (INF, na sigla inglesa), sublinhando que depende de Moscovo que seja “preservado”.

“Pedimos à Rússia que volte urgentemente ao cumprimento total e verificável [do tratado]. Agora, depende da Rússia preservá-lo”, afirmaram os ministros, numa declaração aprovada na sua reunião de terça-feira.

Ao mesmo tempo, reconheceram que “não é sustentável” que alguns subscritores do tratado de 1987 o cumpram e outros não, referindo-se aos planos anunciados pelos Estados Unidos de dele se retirarem, devido às infrações de Moscovo.

“Os Estados Unidos cumpriram as obrigações do tratado INF desde que este entrou em vigor. Os aliados enfatizaram que não é sustentável uma situação em que os EUA e outras partes acatam plenamente o tratado e a Rússia não”, frisaram os ministros.

Os aliados reconheceram expressamente que Moscovo “desenvolveu e utilizou” o sistema de mísseis 9M729, que “viola o tratado INF e representa um risco significativo para a segurança euro-atlântica”.

Os chefes da diplomacia da Aliança Atlântica apoiaram “firmemente as conclusões por parte dos EUA de que a Rússia está a violar materialmente as suas obrigações no âmbito deste tratado”.

Na opinião dos MNE, esta situação “está a desgastar as bases do controlo eficaz de armas e a minar a segurança aliada”, além de “fazer parte de um padrão mais amplo de comportamento que pretende debilitar a arquitetura geral euro-atlântica”.

Em paralelo, os ministros asseguraram que vão manter consultas regulares para “garantir a segurança coletiva” e colocar sob “estrita vigilância” o lançamento de mísseis russos de médio alcance.

“Continuamos a aspirar a uma relação construtiva com a Rússia, apesar de as ações da Rússia a tornam impossível”, observaram os ministros, declarando-se, em todo o caso, “abertos ao diálogo” com Moscovo.

Após a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO em Bruxelas, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, anunciou que Washington suspenderá as suas obrigações no âmbito deste tratado nuclear dentro de 60 dias, em resposta à violação pela Rússia desse pacto.

“Ou enterramos a nossa cabeça na areia, ou agimos com bom senso”, declarou.

Acusando a Rússia de “fazer batota nas suas obrigações de controlo de armamento”, Pompeo disse que um período de aviso prévio de seis meses para abandonar o tratado começará dentro de 60 dias.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, já tinha ameaçado retirar o país do tratado assinado por Ronald Reagan e pelo líder soviético Mikhail Gorbachev em 1987.

Washington sustenta que o novo sistema de mísseis SSC8 da Rússia viola o tratado da era da Guerra Fria, que proíbe todos os mísseis de cruzeiro terrestres com um alcance entre 500 e 5.500 quilómetros.

Pompeo disse que os Estados Unidos “saudariam uma mudança da atitude russa”, mas que não viu qualquer indicação de que Moscovo tencione cumprir o tratado.

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