Mercado Imobiliário

Bancos expostos a sobrevalorização das casas

O setor bancário encontra-se demasiado exposto ao mercado imobiliário residencial. O Banco de Portugal avisa que tendência pode ser "mais acentuada" a nível regional/local.

O Banco de Portugal manteve o aviso para a elevada exposição do setor bancário ao mercado imobiliário residencial

MÁRIO CRUZ/LUSA

O Banco de Portugal (BdP) manteve esta quarta-feira o aviso para a elevada exposição do setor bancário ao mercado imobiliário residencial, tendo em conta os sinais de sobrevalorização dos preços, “mais acentuada a nível regional/local”.

“Esta evolução tem estado associada à forte dinâmica do turismo e do investimento direto por não residentes. Dada a elevada exposição do setor bancário ao mercado imobiliário residencial, um ajustamento abrupto dos preços neste mercado representa um risco para o setor“, avisa o BdP no Relatório de Estabilidade Financeira de dezembro, onde coloca a exposição dos bancos ao setor imobiliário entre os riscos para a estabilidade financeira.

A instituição tem vindo a alertar desde o relatório anterior (de junho) para os sinais “ainda que limitados” de sobrevalorização dos preços do imobiliário residencial em termos agregados, mas no relatório desta quarta-feira torna-se mais evidente que esta tendência possa ser “mais acentuada” a nível regional/local.

De acordo com o BdP, no final do primeiro semestre de 2018, os bancos portugueses continuaram a concentrar uma parte significativa das suas exposições em ativos imobiliários (38,9% do ativo total, 1,5 pontos percentuais abaixo do valor do final de 2016). “Esta exposição assume sobretudo uma natureza indireta, em particular através das garantias imobiliárias associadas ao crédito à habitação (aproximadamente 28% do ativo total)”, refere.

Assim, perante o abrandamento da atividade económica e tendo em conta a subida dos preços das casas, o BdP aconselha os bancos a um “particular cuidado” na definição dos critérios de concessão de crédito. “A tentativa de aumento do volume de crédito através da fixação de spreads de taxa de juro que não cobram o risco de crédito de maneira sustentável traduzir-se-á no futuro num maior nível de incumprimento do crédito”, avisa.

O BdP adotou, a 1 de julho, uma medida macroprudencial sobre novos créditos à habitação e ao consumo, mas no relatório a instituição refere não ser ainda possível fazer uma “análise completa do impacto da recomendação” no âmbito dos novos contratos de crédito celebrados com consumidores.

No entanto, afirma, a informação recolhida sugere que a 31 de julho todas as instituições tinham implementado, do ponto de vista operacional, os limites previstos na recomendação nos canais presenciais. “A implementação dos limites nos canais digitais de algumas instituições encontrava-se menos desenvolvida, mas as instituições parecem ter adaptado a sua oferta nestes canais aos limites estabelecidos na recomendação”, refere.

De uma forma geral, acrescenta, “a implementação da recomendação parece ter originado melhorias na avaliação de solvabilidade dos mutuários pelas instituições, uma vez que a recomendação estabeleceu um mínimo harmonizado de critérios a ser observado aquando da contratação de crédito”.

No que diz respeito à reserva contracíclica de capital (reserva adicional que terá como objetivo proteger o setor bancário nos períodos em que o risco sistémico cíclico aumenta, devido a um crescimento excessivo do crédito), o BdP decidiu manter a percentagem desta reserva em 0%, para o último trimestre de 2018.

O período de implementação faseada da reserva de conservação de fundos próprios mantém-se e aproxima-se da sua conclusão, a 1 de janeiro de 2019, altura em que corresponderá a 2,5% do montante total das exposições em risco.

Esta reserva visa acomodar perdas subjacentes a um cenário macroeconómico e financeiro potencialmente adverso, contribuindo para aumentar a resiliência das instituições e para a manutenção de um fluxo de financiamento estável à economia real.

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