Elétricos

China espia condutores de automóveis eléctricos

107

O Governo chinês exige saber, a todo o momento, onde está cada veículo, quantos quilómetros percorreu e até a carga da bateria. E obriga os fabricantes a fazer de 'big brother', espiando os clientes.

Todos os governos querem saber com exactidão o número de automóveis produzidos no seu território, bem como quantos são vendidos e a quem, e quantos são exportados, especialmente por razões fiscais. Mas a China vai mais longe, obrigando cada fabricante a, literalmente, espiar os seus clientes.

Já se sabia que os veículos eléctricos, pela sua necessidade de receberem actualizações de software over-the-air e poderem realizar operações de diagnóstico à distância, estão sempre ligados à fábrica através da Internet. E as marcas usam essa informação ao serviço do cliente, informando-o sobre o estado do veículo e a necessidade de alguma intervenção. Agora ficámos a saber, segundo a Associated Press, que o Governo chinês está a explorar este potencial tecnológico para obrigar as marcas a recolher informações específicas sobre os seus clientes. Basta que escolham um determinado veículo, ou proprietário.

São mais de 200 os fabricantes, incluindo a Tesla, Volkswagen, Mercedes, BMW, Ford, Nissan, Mitsubishi e General Motors, que são obrigados a fornecer ao Governo local dezenas de dados sobre os veículos que vendem na China e, na maior parte dos casos, sem conhecimento dos proprietários.

Para os construtores, trata-se apenas de obedecer à legislação chinesa criada para os veículos que funcionam a energias alternativas – os únicos que dispõem da possibilidade de estar em permanente contacto com a fábrica –, com as autoridades chinesas a alegarem que os elementos que recebem se destinam a melhorar a segurança pública, facilitar o desenvolvimento industrial, optimizar o planeamento da infra-estrutura e impedir fraude com os programas de subsídios. Mas a questão é que o Governo chinês não pretende apenas analisar tendências ou valores médios, dados que poderiam ajudar a perseguir os alegados objectivos, exigindo antes ter conhecimento, em tempo real, de dados relativos a veículos específicos, o que lhe permite espiar ostensivamente determinados indivíduos.

Acusam os críticos do regime que, sob a liderança de Xi Jinping, a China passou a recorrer a todas as tecnologias disponíveis, da inteligência artificial à reunião e tratamento de informações de big data, para fiscalizar os seus cidadãos, sendo este caso dos automóveis eléctricos apenas mais um exemplo.

A possibilidade de os veículos estarem em constante comunicação com a fábrica foi criada pela Tesla, em 2012, para o Model S, solução entretanto adoptada pela maioria dos seus concorrentes. Mas não é impossível que, em determinados países, os clientes venham a exigir controlar o tipo de informações recolhida pelos seus veículos, limitando-a às que podem ajudar a melhorar os sistemas de gestão da bateria, navegação e condução semiautónoma ou autónoma, inibindo os outros dados que podem configurar uma situação de invasão de privacidade.

Comparador de carros novos

Compare até quatro, de entre todos os carros disponíveis no mercado, lado a lado.

Comparador de carros novosExperimentar agora

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: alavrador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)