“Só não vê quem não quer. Se as pessoas estavam à espera das visitas e, à última hora, são canceladas, é normal que fiquem chateadas”. As palavras foram de Celso Manata, diretor-geral da Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), que considera que os incidentes no Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL), na terça-feira, e no Porto (Custóias), esta quarta-feira, seriam de esperar, tendo em conta a situação da greve e plenários do Sindicato Nacional dos Guardas Prisionais (SNGP) que tem impedido a visita dos familiares dos reclusos.

Em declarações ao Diário de Notícias, Celso Manata referiu que os reclusos “têm razão em estar chateados”, mas alertou que isso “não legitima que comecem a partir e a queimar coisas”, garantindo ainda que os protestos são “pontuais, que já duram há mais de um ano, com um motivo bem definido e que é a questão das visitas. Nada mais”. O diretor da DGRSP acrescentou ainda que estes casos não devem ser considerado como um “prenúncio” de mais motins, mas avisa que será normal surgirem mais problemas sempre que iniciativas sindicais comprometam as visitas aos reclusos. Nestes casos, refere, há um plano: “Todos os estabelecimentos prisionais têm profissionais para intervir de imediato. Numa primeira fase os guardas e logo a seguir, se necessário, o Grupo de Intervenção dos Serviços Prisionais”.

Esta terça-feira, vários detidos do Estabelecimento Prisional de Lisboa atearam fogo a caixotes e contentores do lixo na ala B em protesto, depois de ter sido anunciado que não haveria visitas na quarta-feira por estar marcado um plenário de guardas prisionais convocado pelo Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional. De acordo com um comunicado da DGRSP, “um grupo de reclusos recusou-se a ser encerrado, tendo destruído alguns bens das celas e queimando colchões e caixotes do lixo”.

Já esta quarta-feira, os reclusos de três pavilhões da cadeia de Custóias, em Matosinhos, recusaram voltar às celas, ao início da tarde. Temendo que o incidente ganhasse maiores proporções, o Grupo de Intervenção dos Serviços Prisionais (GISP) do norte foi acionado como medida de precaução, mesmo não se tratando de um motim como o que aconteceu no EPL.

A ordem de regresso às celas terá sido dada (e recusada) depois de os reclusos terem contestado as condições do refeitório e dos alimentos servidos. A situação foi, entretanto, controlada pelos guardas de serviço, sem que fosse necessária a intervenção do GISP. A mesma fonte prisional explica ao Observador que, ainda assim, a unidade mais musculada dos guardas prisionais manteve-se pronta a avançar porque o ambiente tenso ainda não desapareceu e temem-se novos incidentes durante a tarde.