Estados Unidos da América

Donald Trump escolhe William Barr, ex-procurador de Bush, para substituir Jeff Sessions

Presidente americano nomeou antigo procurador-geral de George W. Bush para ocupar o mesmo cargo, à frente do seu Departamento da Justiça. Barr tem feito críticas à investigação de Mueller.

Donald Trump fez o anúncio da nomeação de Barr esta sexta-feira, perante os jornalistas

Getty Images

O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que irá nomear William Barr, que já liderou o Departamento da Justiça do ex-Presidente George W. Bush, para o cargo de procurador-geral dos Estados Unidos.

O anúncio foi feito aos jornalistas esta sexta-feira, e confirmado depois através do Twitter. Trump garantiu que Barr foi a sua “primeira escolha desde o dia 1” e que ele é não apenas “um dos juristas mais respeitados do país”, mas também “um homem incrível, uma pessoa incrível, um homem brilhante”.

William P. Barr, de 68 anos, é um advogado ligado ao Partido Republicano com vários anos de experiência em organismos como a CIA ou o próprio Departamento da Justiça. Barr foi procurador-geral de George W. Bush durante o seu primeiro mandato, entre 1991 e 1993.

A nomeação do Presidente tem agora de ser ainda confirmada pelo Senado, algo que, de acordo com fontes dos comités responsáveis ouvidos pelo Washington Post, só deverá acontecer já no próximo ano, depois de os novos senadores tomarem posse a 3 de janeiro.

Investigação de Mueller será ponto-chave do mandato de Barr

Segundo o mesmo jornal, a nomeação de Barr poderá ser marcada por questões incisivas sobre a postura do novo procurador-geral face à investigação das suspeitas de conluio da campanha presidencial Trump com o Kremlin, liderada pelo procurador-especial Robert Mueller.

Em causa estão anteriores declarações de Barr sobre esta investigação. O advogado republicano já declarou no passado ver com desconfiança o facto de alguns procuradores da equipa especial terem feito donativos a campanhas de candidatos democratas. Barr também apoiou a ideia de Trump de levar a cabo investigações contra a ex-adversária Hillary Clinton: “Não há nada de inerentemente errado com um Presidente pedir uma investigação”, declarou, relembra o New York Times.

O senador democrata Richard Blumenthal, que faz parte do Comité Judiciário que irá ouvir Barr antes da confirmação, já declarou num comunicado que irá “exigir ao senhor Barr que se comprometa firme e especificamente com a proteção à investigação de Mueller, com a independência da operação face à Casa Branca e com a manutenção do Estado de Direito.” Ainda esta sexta-feira, Trump voltou a atacar o procurador e a investigação no Twitter.

A nomeação de Barr surge depois de o Presidente Donald Trump ter pedido a demissão do anterior procurador-geral, Jeff Sessions. As divergências entre os dois assentaram sobretudo na postura face à investigação de Mueller — tendo Trump criticado frequentemente Sessions em público por continuar a permitir que a investigação prossiga.

A decisão do Presidente surge inserida numa remodelação mais lata. Heather Nauert, até agora porta-voz do Departamento de Estado, será agora a nova embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, em substituição de Nikki Haley. O New York Times avança ainda que, nos próximos dias, o chefe de gabinete do Presidente, John Kelly, poderá também anunciar a sua saída da Casa Branca.

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