Greve

Ordem dos Médicos contabiliza mil cirurgias adiadas em Coimbra devido à greve dos enfermeiros

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Quase mil cirurgias foram adiadas na região de Coimbra devido à paralisação dos enfermeiros nos blocos operatórios, informou a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos.

Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos contabilizou o adiamento de 823 cirurgias programadas comparativamente com igual período do ano passado

PAULO NOVAIS/LUSA

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) revelou esta sexta-feira que a greve dos enfermeiros dos blocos operatórios já motivou o adiamento de quase mil cirurgias programadas no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

O presidente daquela estrutura, Carlos Cortes, disse que, “no mesmo período, o ano passado se operaram 1.200 doentes e este ano só 376“, declarou à agência Lusa.

O dirigente contabilizou uma produção “de menos 823 cirurgias programadas, sendo 250 convencionais e 573 de ambulatório”. “Nunca vi nestes últimos anos uma irresponsabilidade, uma apatia e passividade tão grande do Ministério da Saúde perante este problema. E o problema é para os doentes, que não estão a ser operados”, frisou.

Segundo Carlos Cortes, há doentes com problemas oncológicos e que necessitam de cirurgias urgentes. Deu também como exemplo o serviço de ortopedia, em que os doentes “correm risco de fraturas se não forem rapidamente operados”.

“Há doentes com neoplasias que não estão a ser operados, há atrasos que, porventura, poderiam ser cirurgias não consideradas urgentes, mas que passado algum tempo se tornam urgentes”, salientou.

O presidente da SRCOMC chama a atenção para o facto do número de cirurgias urgentes estar a “aumentar cada vez mais, porque uma situação num dia pode ser considerada não urgente, mas se não é imediatamente operada começa cada dia a ficar pior”. Salientando que há consequências que “podem ser marcantes para os doentes o resto da sua vida”, Carlos Cortes considera incompreensível a atuação da tutela perante uma greve que tem cerca de duas semanas e meia.

“Estamos perante uma greve com reivindicações e compete ao Ministério da Saúde resolver muito rapidamente toda esta situação. Trata-se de uma situação que considero catastrófica, inédita. No país, nunca conhecemos uma situação desta gravidade”. São quase mil cirurgias por fazer em Coimbra e, provavelmente, “na próxima década o SNS não terá capacidade para as resolver”.

“Estamos a falar de cirurgias que não se marcam de uma semana para a outra e a capacidade do SNS absorver estas cirurgias vai marcar a sua atuação para a próxima década”, disse Carlos Cortes. O presidente da SRCOM considera que “há um silêncio do Ministério da Saúde completamente incompreensível para resolver esta situação e, quem está a sofrer, infelizmente, estas consequências, são os doentes, que vão sofrer sequelas daquilo que está agora a ser adiado”.

Carlos Cortes considera ainda inaceitável que, nesta altura, os hospitais e o Ministério da Saúde não tenham ainda revelado os dados das cirurgias em atraso. “A Ordem dos Médicos não percebe, por exemplo, porque é que o CHUC não diz publicamente quais estão a ser as consequências desta inanição do Ministério da Saúde, que é importante para a transparência deste processo”, enfatizou.

Os enfermeiros de cinco blocos operatórios de hospitais públicos iniciaram no dia 22 de novembro uma greve de mais de um mês às cirurgias programadas.

Também em Santa Maria, em Lisboa, surgiram reclamações relativas às cirurgias canceladas na pediatria devido à greve dos enfermeiros.

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