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Ambiente

Projeto de compostagem atraiu 900 lisboetas em seis meses

Ter uma horta mais sustentável ou reduzir o lixo biodegradável produzido em casa são os motivos que levaram dois munícipes de Lisboa a aderirem a um projeto da Câmara que incentiva à compostagem.

Jorge trabalha, na sua horta comunitária através do processo de compostagem promovido pela Câmara Municipal de Lisboa, em Alvalade, 3 de dezembro de 2018

MÁRIO CRUZ/LUSA

Ter uma horta mais sustentável ou reduzir o lixo biodegradável produzido em casa são os motivos que levaram dois munícipes de Lisboa a aderirem a um projeto da Câmara Municipal que pretende incentivar à compostagem. São já 900 aqueles que têm um compostor em casa ao abrigo desta iniciativa e a meta é que, em 2020, estejam quatro mil famílias envolvidas no projeto.

Filipa Penedos, diretora municipal da Higiene Urbana, explicou à agência Lusa que o projeto Lisboa a Compostar teve início em maio deste ano e, passados seis meses, são já 900 os munícipes que aderiram ao programa e a quem foi entregue um compostor.

Jorge Gadelho é um dos habitantes da capital que aderiu ao projeto. Veio para Lisboa estudar engenharia civil e, apesar de os seus pais serem agricultores na zona de Aveiro, sempre “detestou hortas”, confessou à Lusa. No entanto, sentiu “falta do contacto com a terra” e, depois de encontrar um sítio na cidade onde plantar, ficou a saber do programa da Câmara Municipal de Lisboa, que oferecia, além do compostor, uma formação em compostagem doméstica.

Na horta de 80 metros quadrados que possui no corredor verde de Alvalade tem um compostor, onde vai colocando “uma a duas vezes por semana, matéria verde e matéria castanha”, a que junta água, de vez em quando, para “alimentar” o fertilizante.

“Os meus pais são agricultores, sempre trabalharam nisto, eu não gostava, detestava a horta, depois vim para a cidade, para Lisboa e senti falta do contacto da terra, comecei com a horta há um ano e evoluí com o compostor, seria o passo natural”, explicou. “Eles estão orgulhosos de mim”, disse regozijando, lembrando que agora os pais “vão disponibilizando sementes e alfaias” para tratar da terra e vão dando “dicas do que plantar e de quando regar”.

Jorge Gadelho adianta que, desde o início, já retirou composto para adubar cerca de um quarto da horta e, apesar de atualmente, por os dias serem mais pequenos, ir menos vezes tratar do espaço, tem de ir lá deixar os restos das preparações das refeições que faz em casa, como as cascas de batatas, de ovo, restos de hortaliças, “tudo material que não tenha sido cozinhado”.

Para o Natal espera ter, não couves frondosas como os seus vizinhos hortelões, mas favas e ervilhas que já plantou e que irá plantar mais ainda nos próximos dias para a cultura crescer até à Consoada. “Sei que em três semanas dá tempo”, confessou à Lusa.

Em defesa do ambiente

Tempo é coisa que Raquel e o companheiro Tiago, que vivem num apartamento em Alvalade, também dispõem. A horta que têm na ideia para o logradouro do prédio onde habitam irá surgir “lá para a primavera”. Até lá, decidiram ver o que era preciso fazer para preparar a terra.

“Tudo começou pelo interesse de pensar numa alimentação mais saudável e produzir em casa já que tínhamos um espaço que não estava a ser utilizado”, explicou Raquel à Lusa. “Sabendo do projeto do compostor, procurámos perceber como funcionava e como ter em casa”, acrescentou.

Raquel e Tiago têm o compostor também desde o início do projeto, fazendo parte do grupo de 67% dos munícipes que moram num apartamento e dos 24% que possuem um logradouro onde está instalado o caixote para a compostagem.

“É gratificante pela redução do lixo, este era o tipo de material que se descartava com facilidade, coisa de um ou dois sacos por semana, hoje utilizamos uma pequena caixa para depositar os restos de alimento. A possibilidade de ter, num futuro breve, o adubo para a terra e começar a produzir algumas coisas e ter uma alimentação mais saudável, é gratificante”, reiterou.

A experiência do casal vai além da sua própria família, uma vez que, como habitam num pequeno prédio, incentivaram os vizinhos a utilizarem também o seu compostor. “Assim fica mais fácil produzir o composto de forma mais rápida e todos beneficiamos. Penso que na primavera já possa utilizar para pequenas plantações e até para adubar as árvores que já existem”, disse esperançosa.

Espaço para ‘novos agricultores’

O projeto Lisboa a Compostar surgiu, como Filipa Penedos explicou à Lusa, com o objetivo de diminuir os resíduos biodegradáveis que são encaminhados para incineradoras e ajudar a cumprir a meta do plano municipal de gestão de resíduos, de diminuição dos resíduos produzidos.

“Tem sido um sucesso, dos 900 compostores entregues só três munícipes desistiram. A meta é, em 2020, ter entregue quatro mil compostores, ou seja, quatro mil famílias em Lisboa a compostar e a contribuir para a diminuição dos resíduos biodegradáveis que entregamos na incineradora”, explicou.

Segundo a diretora municipal da Higiene Urbana, Lisboa “encaminha diariamente 850 toneladas de resíduos, das quais 240, valor estimado, são de resíduos biodegradáveis, por isso, quanto mais compostamos, menos entregamos à incineradora”.

“Estamos a gerar valor porque geramos um composto que depois é incorporado novamente na cadeia através da utilização em jardins municipais e, no caso das pessoas”, nas suas próprias casas, sublinhou. Paralelamente aos compostores domésticos surgiu a ideia de compostores comunitários, sendo já quatro aqueles que estão instalados e a cargo de quatro juntas de freguesia lisboetas, explicou Filipa Penedos.

A responsável adiantou ainda que haverá um quinto compostor a ser instalado na Quinta Pedagógica dos Olivais “pela componente de sensibilização e pedagogia já que é um grande número de crianças que o espaço recebe diariamente”. “E sabemos que as crianças são um grande veículo para a sensibilização ambiental e para em casa forçarem os pais a seguirem boas práticas”, afirmou.

O projeto visa contribuir para a redução da produção total de resíduos no município lisboeta, com uma meta de menos 10% entre 2015-2020, além de uma aposta na economia circular.

A média de idades dos munícipes que aderiram ao projeto situa-se, na sua maioria, no escalão entre os 31 e 40 anos (28%) e os 41 e 50 anos (27%) e são sobretudo especialistas das profissões intelectuais e científicas (56%9), segundo dados do departamento de Higiene Urbana. Só 9% da população aderente ao Lisboa a Compostar tem mais de 65 anos, sendo que os reformados ocupam 8% do total, existindo 5% de estudantes e 2% com menos de 20 anos.

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