A União das Misericórdias Portuguesas mostrou-se disponível para fazer algumas das cirurgias que têm sido desmarcadas nos hospitais públicos por causa da greve dos enfermeiros, noticiou a TSF.

O pedido ainda não foi feito oficialmente pelo Governo, mas Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas, disse estar disposto a reforçar os acordos já existentes para recuperar as cirurgias adiadas. Só desde o início da greve, a 22 de novembro, já ficaram por fazer mais de cinco mil cirurgias. Um número que vai continuar a aumentar até ao final da greve (a 31 de dezembro).

Os hospitais têm procurado transferir os doentes graves para outros hospitais quando não conseguem garantir a realização da cirurgia, como o Hospital de Santa Maria que já transferiu doentes para os hospitais de S. José, Lisboa Ocidental e Beatriz Ângelo. Situação mais difícil vive o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, porque os hospitais mais próximos não têm capacidade de resposta, disse Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos.

Ana Rita Cavaco, bastonária da Ordem dos Enfermeiros, admitiu que o número de mortes evitáveis pode aumentar devido a esta greve, mas acrescentou que o facto de existirem menos enfermeiros nos hospitais do que seria desejável também faz aumentar a mortalidade hospitalar.

O bastonário da Ordem dos Médicos também não pode garantir que não haja mais mortes evitáveis por causa da greve, mas considerou que não faz sentido os médicos operarem sozinhos nos hospitais onde decorre a greve dos enfermeiros, porque não se está a viver nenhuma situação de catástrofe.

Regime de exceção para as cirurgias das crianças

Um dos grupos que têm suscitado mais preocupação são as crianças. “Há mais de cem crianças cujas cirurgias foram adiadas”, disse Alexandre Valentim Lourenço, presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, depois da reunião com os diretores clínicos dos cinco hospitais onde decorre a greve. Na sexta-feira, Carlos Martins, presidente do Conselho de Administração do Hospital de Santa Maria, admitiu à TSF que ainda não tinha sido possível realizar nenhuma cirurgia pediátrica naquele hospital desde o início da greve.

Os serviços mínimos pressupõem que sejam feitas cirurgias em situações graves e prioritárias, mas a Ordem dos Médicos pede que seja aberta uma exceção no caso das cirurgias pediátricas para evitar prejudicar o ano letivo das crianças, noticiou o Jornal de Notícias. As cirurgias pediátricas não urgentes são, normalmente, agendadas para alturas em que têm menos impacto no calendário escolar. Se forem adiadas, isso pode ter um impacto negativo no aproveitamento dos alunos.