A sala do Presépio Português, que vai dar acesso à Capela das Albertas, que está a ser alvo de um complexo trabalho de restauro, vai ser inaugurada na sexta-feira com a presença da ministra da Cultura, Graça Fonseca. É no renovado espaço do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, que será colocado o chamado Presépio dos Marqueses de Belas, obra de inícios do século XIX dirigida pelo escultor português Barros Laborão.

A obra, encomendada em finais do século XVIII pelo colecionador José Joaquim de Castro a Barros Laborão, foi recentemente restaurada graças a uma campanha de angariação de fundos lançada pelo MNAA em abril. Em apenas seis meses (o prazo final da campanha era 31 de dezembro), o organismo conseguiu reunir o dinheiro necessário para terminar o trabalho de restauro — 40 mil euros.

Presépio dos Marqueses de Belas vai ser a peça central da nova Sala do Presépio Português, que antecede e serve de entrada à Capela das Albertas, a única estrutura sobrevivente do antigo convento de Santo Alberto de monjas carmelitas, que ficava onde é hoje o MNAA, na Rua das Janelas Verdes. A obra de Barros Laborão — que nunca pertenceu aos Marqueses de Belas ou aos seus familiares apesar do nome por que ficou conhecido — será “enquadrada pelo trabalho de outros escultores (em madeira ou barro) seus contemporâneos” e colocada “em necessário diálogo com o trabalho pictórico de Pedro Alexandrino de Carvalho, colaborador de Barros Laborão em moldes não totalmente esclarecidos”, referiu o museu.

O MNAA destacou que, além do trabalho de Barros Laborão, a sala do Presépio Português irá receber outras obras produzidas “nas oficinas de Lisboa, nos séculos XVII e XVIII”. A par dos presépios, o novo espaço vai ter peças de ourivesaria litúrgica e mobiliário cerimonial, fazendo assim a ligação entre o trabalho de Barros Laborão e seus contemporâneos e o “interior de ouro e azul da antiga igreja e do próprio Barroco português”.

Os trabalhos de restauro na Capela das Albertas vão continuar até 2020. O espaço esteve fechado ao público durante 11 anos devido ao seu estado de degradação. O restauro foi orçamentado em 250 mil euros.