O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Aristides Gomes, pediu esta terça-feira à Procuradoria-Geral da República para libertar as instalações do Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral (GTAPE), para que o recenseamento eleitoral prossiga.

A Procuradoria-Geral da República explicou esta terça-feira, em comunicado, que não mandou suspender o recenseamento eleitoral na Guiné-Bissau e que apenas ordenou a suspensão dos trabalhos do servidor principal.

“Se não ordenou que deixe o pessoal do GTAPE retomar o trabalho. A sede do GTAPE é o cérebro. Se o cérebro não funciona, não estou a ver como um indivíduo pode ter reflexos, os reflexos partem do cérebro. Para ser coerente que liberte as instalações da GTAPE e que a GTAPE possa continuar o seu trabalho”, afirmou Aristides Gomes.

Aristides Gomes sublinhou também que o servidor está nas instalações do GTAPE, a que “ninguém pode ter acesso”, o que quer dizer que é “impossível prosseguir com o recenseamento em condições”.

Questionado pelos jornalistas sobre o prazo para a conclusão do recenseamento eleitoral, o primeiro-ministro disse que “depende do desbloqueamento da situação atual”, sublinhando que o Governo já recorreu da decisão do Ministério Público, que é, disse, “desproporcional, injusta e infundada”.

O primeiro-ministro guineense falava aos jornalistas na cerimónia de despedida dos técnicos eleitorais timorenses que estiveram a prestar apoio ao processo eleitoral.

Nas declarações aos jornalistas, Aristides Gomes disse que está no país uma equipa de peritos para fazer uma auditoria ao processo de recenseamento e que aguardam que a situação seja ultrapassada para começarem a trabalhar.

Um despacho do Ministério Público, divulgado quinta-feira ao final do dia, ordenava a suspensão dos trabalhos, requisitava às forças de segurança para controlar as entradas e saídas de pessoas e para interditar a entrada de pessoas não autorizadas.

Esta terça-feira, a Procuradoria-Geral da República guineense emitiu um comunicado à imprensa onde afirma que nunca suspendeu o recenseamento eleitoral e que apenas ordenou a suspensão dos trabalhos do servidor principal.

O Ministério Público guineense está a investigar alegadas irregularidades ao recenseamento eleitoral na Guiné-Bissau.