O partido irlandês Sinn Fein pediu esta terça-feira ao Governo de Dublin que se comprometa com a realização de um referendo sobre a unificação da Irlanda se o Reino Unido sair da União Europeia (UE) sem acordo.

A líder do partido, que tem representação nos lados britânico e irlandês da ilha, Mary Lou McDonald, voltou a levantar esta questão depois de a chefe do Governo de Londres, Theresa May, ter decidido adiar a votação do acordo sobre o ‘Brexit’ negociado com a União Europeia.

McDonald adiantou que a suspensão “desta importante votação” causou “muita preocupação” na Irlanda do Norte e na República da Irlanda, cujo executivo afirmou esta terça-feira está a reforçar os planos de contingência para responder a uma possível saída sem acordo.

“Gostava de saber até que ponto está o Governo (irlandês) preparado para a transição constitucional e o referendo sobre a unificação, porque se houver um ‘Brexit’ sem acordo o calendário avançaria dramaticamente”, disse a presidente do Sinn Fein.

O antigo braço político do inativo Exército Republicano Irlandês (IRA), que tinha indicado anteriormente que esta consulta poderia realizar-se dentro de cinco anos, considerou que poderá ser antecipada por causa dos últimos acontecimentos.

McDonald adiantou que abordará a questão quando esta terça-feira à noite falar por telefone com May, que começou esta terça-feira a visitar várias capitais europeias para retomar o diálogo sobre o acordo e, quinta-feira, participará na cimeira dos líderes europeus em Bruxelas.

A líder do Sinn Fein sublinhou que o acordo de saída subscrito por Londres e Bruxelas não pode ser renegociado, porque assegura os interesses das duas Irlandas e garante que não haverá uma fronteira física, através de uma salvaguarda ‘backstop’, o principal ponto de discórdia do acordo.

O ultraconservador Partido Democrático Unionista (DUP), maioritário na Irlanda do Norte e parceiro de Theresa May, a ala dura dos conservadores e a oposição trabalhista recusam a salvaguarda por entenderem que confere um estatuto diferente à região e põe em risco a relação com o Reino Unido.

O ‘backstop’ estabelece que, em caso de não haver um acordo comercial bilateral no final do período de transição, em dezembro de 2020, o Reino Unido formaria uma união aduaneira, mas a Irlanda do Norte teria um estatuto especial mais alinhado com o mercado único europeu.